Os Estados Unidos e o Irã trocaram intensos ataques com mísseis e drones neste sábado (12), horas após o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A escalada militar elevou o preço do petróleo em mais de 8% e levou o Conselho de Segurança da ONU a convocar uma reunião de emergência.
Fechamento do Estreito de Ormuz desencadeia ofensiva
O fechamento do estreito foi anunciado pelo Irã na sexta-feira (11), em resposta a sanções econômicas impostas pelos EUA. Horas depois, mísseis e drones foram lançados de ambos os lados. Segundo o Pentágono, os EUA atingiram instalações militares iranianas na costa do Golfo Pérsico, enquanto o Irã afirmou ter alvejado navios de guerra americanos no Mar da Arábia.
“O regime iraniano cruzou uma linha vermelha. Não permitiremos que o fluxo global de energia seja interrompido por ameaças”, declarou o porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA, John Kirby, em entrevista coletiva.
Impacto imediato no mercado de petróleo
O barril do Brent, referência internacional, saltou de US$ 82 para US$ 88,60, maior alta diária desde outubro de 2023. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, gerou pânico entre traders e governos dependentes do insumo, como Japão, Índia e Coreia do Sul.
Analistas do Goldman Sachs estimam que, se a rota permanecer bloqueada por mais de uma semana, o preço do petróleo pode ultrapassar US$ 100. A Arábia Saudita já anunciou que aumentará a produção para compensar parte da perda, mas alertou que a capacidade ociosa é limitada.
Mobilização militar e risco de conflito regional
Os EUA enviaram o porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower e dois destróieres para o Golfo de Omã, enquanto o Irã posicionou baterias de mísseis antinavio ao longo da costa iraniana. O governo iraniano, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, classificou a ação americana como “ato de guerra” e prometeu “resposta devastadora” a qualquer tentativa de reabrir o estreito à força.
“O Estreito de Ormuz estará fechado até que as sanções ilegais sejam suspensas. Qualquer agressão será enfrentada com toda a força do Irã”, afirmou o porta-voz do Ministério, Nasser Kanaani, em pronunciamento transmitido pela TV estatal.
Reações internacionais e reunião de emergência da ONU
O Conselho de Segurança da ONU se reunirá neste domingo (13) para discutir a crise. Rússia e China pediram moderação e condenaram o fechamento do estreito, enquanto a União Europeia convocou os embaixadores dos dois países para negociações urgentes. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou “grave preocupação” e pediu “contenção máxima” para evitar uma guerra de grandes proporções.
O fechamento do Estreito de Ormuz já impacta a logística global: seguradoras marítimas suspenderam a cobertura para navios na região, e várias empresas de navegação redirecionaram suas rotas para o Cabo da Boa Esperança, aumentando custos e prazos de entrega.



