Tarifaço afeta US$ 11 bi e pode reduzir comércio com EUA
Tarifaço afeta US$ 11 bi e pode reduzir comércio com EUA

O recente aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos afeta diretamente US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, e especialistas alertam que a medida pode reduzir ainda mais o fluxo comercial entre os dois países. O valor representa cerca de 15% do total exportado pelo Brasil aos EUA em 2025.

Impacto imediato nas exportações

As novas alíquotas, que entraram em vigor em 1º de julho, incidem sobre produtos siderúrgicos, químicos e agropecuários. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os setores mais afetados são o de aço (US$ 3,2 bilhões), suco de laranja (US$ 1,5 bilhão) e carne bovina (US$ 1,2 bilhão).

“Essa medida protecionista dos EUA prejudica não apenas os exportadores brasileiros, mas também os consumidores americanos, que pagarão mais caro por produtos de qualidade”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

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Redução histórica do comércio bilateral

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que o comércio bilateral já caiu 8% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. A expectativa é que o tarifaço aprofunde essa queda em mais 5 a 7 pontos percentuais até o fim do ano.

“Estamos diante de um cenário de retração significativa. Se não houver negociação, o Brasil pode perder market share para outros fornecedores, como Canadá e México”, destacou a economista-chefe da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Ana Paula Ribeiro.

Setores mais vulneráveis

Além do aço e do suco de laranja, o etanol brasileiro também sofreu aumento de tarifa, passando de 2,5% para 18%. O setor sucroenergético estima perdas de US$ 800 milhões anuais. Já os produtores de café verde, que pagavam alíquota zero, agora enfrentam 10% de taxa.

“O café brasileiro é o principal fornecedor do mercado americano. Essa tarifa vai encarecer o produto e pode abrir espaço para concorrentes como Colômbia e Vietnã”, alertou o diretor-executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos.

Reação do governo brasileiro

O governo brasileiro já anunciou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e estuda medidas retaliatórias. O Ministério das Relações Exteriores informou que “não aceitará práticas unilaterais que violem as regras do comércio internacional”.

Paralelamente, o Brasil busca acelerar acordos com a União Europeia e a China para diversificar seus parceiros comerciais. “Precisamos reduzir nossa dependência do mercado americano. O momento é de ampliar horizontes”, disse o secretário de Comércio Exterior, Alexandre Petreca.

Perspectivas para os próximos meses

Analistas preveem que, se mantidas as tarifas, o Brasil pode perder até US$ 3 bilhões em exportações totais em 2026. O setor industrial é o mais pessimista, com 72% das empresas consultadas pela CNI afirmando que reduzirão investimentos devido à incerteza comercial.

A expectativa é que as negociações bilaterais avancem após as eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro. Enquanto isso, o Brasil tenta minimizar os danos com medidas de apoio aos exportadores, como linhas de crédito e desonerações fiscais.

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