Trabalhadores removeram na madrugada deste sábado (13) o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Kennedy Center, em Washington, menos de seis meses após a alteração ter sido implementada. A medida cumpre uma decisão judicial que determinou que o tradicional centro de artes não pode ser renomeado sem autorização do Congresso americano.
Operação de remoção
Os trabalhos começaram por volta da 1h20 no horário local (2h20 em Brasília), poucas horas depois de o Departamento de Justiça informar que não conseguiria cumprir o prazo estabelecido pela Justiça, que terminava às 23h59 de sexta-feira. O local foi criado há mais de 50 anos em homenagem ao ex-presidente John F. Kennedy, assassinado em 1963.
Em dezembro, o conselho diretor da instituição — atualmente presidido por Trump — aprovou a mudança do nome para "The Donald J. Trump and The John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts". A instalação da nova identificação começou já no dia seguinte à aprovação.
Descumprimento de prazo judicial
Depois de montar andaimes na noite de sexta-feira, equipes de trabalho cobriram a estrutura com lonas durante a madrugada. Por volta das 3h10, os operários foram vistos retirando as letras do prédio em uma operação que durou cerca de 30 minutos. Horas antes, o Departamento de Justiça havia informado à Justiça que perderia o prazo para a remoção devido a tempestades que poderiam representar riscos à segurança dos trabalhadores. O governo chegou a solicitar uma extensão de 12 horas.
A deputada democrata Joyce Beatty, do estado de Ohio, autora da ação que levou à retirada do nome de Trump, classificou o pedido como "injustificável" e afirmou que ele faz parte de "um padrão de descumprimento", segundo documentos apresentados no processo.
Histórico do Kennedy Center
O Kennedy Center foi inaugurado em 1971 como um memorial ao presidente John F. Kennedy. Desde que retornou à Casa Branca no ano passado, Trump substituiu integrantes do conselho da instituição por aliados políticos.
Poucas horas antes do pedido do Departamento de Justiça, o juiz federal Christopher Cooper havia rejeitado uma solicitação do governo para suspender temporariamente a ordem de remoção. Cooper afirmou que não revogaria a decisão enquanto um tribunal de apelação analisasse seu entendimento de que apenas o Congresso tem autoridade para alterar o nome da instituição. O governo recorreu à Corte de Apelações do Distrito de Colúmbia, que também negou o pedido de suspensão na sexta-feira. A Casa Branca e o Kennedy Center não comentaram o caso.
Disputa sobre a mudança de nome
Em decisão publicada em 29 de maio, Cooper concluiu que somente o Congresso pode autorizar a mudança de nome do centro cultural. A determinação exigia que a referência a Trump fosse retirada da fachada do prédio, do site oficial e de outros materiais institucionais.
Ao pedir a suspensão da ordem, o Departamento de Justiça argumentou que "não faz sentido alterar agora o nome e a sinalização do centro para, possivelmente, ter de revertê-los novamente após uma apelação que acreditamos ser bem-sucedida".
Em fevereiro, Trump anunciou o fechamento do Kennedy Center por dois anos para uma ampla reforma. A iniciativa faz parte de um plano mais amplo do presidente para remodelar monumentos e espaços simbólicos da capital americana. Entre os projetos anunciados estão a construção de um arco de 75 metros de altura e de um salão de cerca de 8.400 metros quadrados no local onde ficava a Ala Leste da Casa Branca, demolida por Trump em outubro.



