EUA querem acordo com Irã, mas não 'a qualquer preço', alerta governo
EUA querem acordo com Irã, mas não 'a qualquer preço'

Os Estados Unidos afirmaram nesta sexta-feira que desejam alcançar um acordo com o Irã para resolver a crise no Estreito de Ormuz, mas deixaram claro que não aceitarão qualquer condição. 'Queremos um acordo, mas não a qualquer preço', declarou um porta-voz do Departamento de Estado, sob condição de anonimato. A declaração ocorre após um ataque a um cargueiro na região, que levou à suspensão de um plano lançado dias antes para evacuar navios que permaneciam bloqueados no Golfo desde o início do conflito.

Ataque a cargueiro interrompe evacuação

Na quinta-feira, um cargueiro de bandeira liberiana foi atingido por um míssil enquanto navegava próximo ao Estreito de Ormuz. O ataque, ainda não reivindicado, provocou a suspensão imediata da operação de evacuação de dezenas de navios que estavam retidos no Golfo Pérsico. Segundo a Marinha dos EUA, pelo menos 40 embarcações comerciais estavam bloqueadas desde o início das hostilidades, há duas semanas. 'A situação é extremamente volátil. Um erro de cálculo pode levar a um caos total', alertou o porta-voz.

Negociações em andamento

As negociações entre EUA e Irã, mediadas por Omã, buscam encerrar o conflito iniciado por bombardeios israelenses e americanos contra instalações iranianas no início do mês. O Irã, por sua vez, ameaça responder a qualquer travessia não autorizada no estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. 'Não permitiremos que nossa soberania seja violada. Qualquer navio que cruze sem permissão será tratado como alvo', afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Nasser Kanaani, em coletiva de imprensa.

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Exigência de inclusão do Líbano

Além disso, Teerã exige que o Líbano seja incluído nas discussões, alegando que o país também é afetado pelo conflito. 'O Líbano sofre as consequências econômicas e humanitárias. Não podemos ignorar seus interesses', disse Kanaani. Analistas apontam que a exigência pode ser uma tentativa de ampliar o escopo das negociações e ganhar tempo. Enquanto isso, a comunidade internacional monitora a situação com preocupação, temendo uma escalada que interrompa o fluxo global de petróleo.

Impacto econômico

O preço do barril de petróleo já subiu 12% desde o início da crise, atingindo US$ 98. O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica para o transporte de petróleo do Oriente Médio. 'Se o estreito for fechado, veremos um choque econômico global', alertou um economista do Fundo Monetário Internacional. Os EUA, no entanto, mantêm que a prioridade é a desescalada. 'Estamos prontos para negociar, mas não sob coerção', reforçou o porta-voz americano.

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