A eleição presidencial dos Estados Unidos tornou-se o principal foco dos investidores estrangeiros, influenciando diretamente as apostas no mercado financeiro global. A disputa entre os candidatos Donald Trump e Joe Biden gera incertezas que se refletem na volatilidade dos ativos, especialmente em economias emergentes como o Brasil.
Impacto nos mercados emergentes
De acordo com analistas do banco Goldman Sachs, a eleição americana é o fator de maior peso para o apetite ao risco dos investidores internacionais. “A definição do próximo presidente dos EUA ditará o rumo das políticas comerciais e fiscais, afetando diretamente os fluxos de capital para países como o Brasil”, afirmou a equipe de estratégia do banco em relatório recente.
Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que, em setembro, os investidores estrangeiros retiraram R$ 12,5 bilhões da bolsa brasileira, o maior saque mensal desde março de 2020. O movimento foi atribuído principalmente à aversão ao risco gerada pela proximidade do pleito americano.
Setores mais sensíveis
Entre os setores mais impactados estão o de commodities e o financeiro. As ações da Petrobras e da Vale, por exemplo, apresentaram forte volatilidade nas últimas semanas, acompanhando as oscilações nas pesquisas eleitorais nos EUA. “O mercado está precificando cenários distintos para cada candidato, com implicações diretas para o preço do petróleo e do minério de ferro”, explicou o economista-chefe de uma corretora paulista.
Perspectivas para o curto prazo
Com a eleição marcada para 3 de novembro, a expectativa é de que a volatilidade continue elevada até a definição do resultado. “Os investidores devem manter uma postura cautelosa, com preferência por ativos considerados seguros, como o dólar e o ouro”, recomendou o estrategista de um banco de investimentos europeu. No Brasil, a atenção também se volta para o impacto da eleição americana sobre a taxa de câmbio e a inflação.
Enquanto isso, o mercado de opções registra um aumento significativo no volume de negócios, com apostas em cenários de vitória de Trump ou Biden. “Há uma clara correlação entre as chances de cada candidato e a direção dos mercados”, destacou um operador da B3. A expectativa é que, após o pleito, haja um alívio temporário na aversão ao risco, independentemente do vencedor.



