A final da Copa do Mundo de 2026 colocará frente a frente Argentina e Espanha, duas seleções que representam estilos distintos de futebol coletivo. De um lado, a Argentina de Lionel Messi, que busca o bicampeonato consecutivo — feito alcançado apenas por Itália (1934 e 1938) e Brasil (1958 e 1962). Do outro, a Espanha, dona de um futebol baseado no controle de bola e na paciência, sem estrelas individuais, mas com um conjunto coeso.
A trajetória argentina: de 2018 ao bi
Na Copa de 2018, a Argentina foi eliminada pela França de um jovem Kylian Mbappé. Na época, Lionel Messi era visto como um craque que encerraria sua passagem pela seleção sem títulos, uma relação marcada por dramas e tragédias. No entanto, Messi ressurgiu como protagonista de uma geração de excelentes jogadores que o seguiram como devotos, sem questionar sua capacidade de guiá-los à vitória. Sob o comando do técnico Lionel Scaloni, um líder sereno adepto da autogestão, a Argentina chegou à segunda final consecutiva de Copa, algo raro na história do futebol.
O estilo espanhol: coletividade sem estrelas
A Espanha, por sua vez, apresenta um futebol que divide opiniões. O zelo excessivo pelo controle da bola e a paciência em rodá-la até desconcertar o adversário são marcas registradas. É um futebol profundamente coletivo, sem estrelas, mas que só funciona porque é praticado por jogadores de altíssima qualidade técnica e mental. A influência basca no futebol espanhol é um dos temas abordados pelo Copa Além da Copa, que destaca como catalães, bascos, galegos e outras nacionalidades contribuem para a seleção, apesar das divisões regionais.
Trump na final: política e futebol
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou presença na final nesta quinta-feira (16), algo praticamente obrigatório para um chefe de estado anfitrião. Trump evitou os estádios durante a maior parte do torneio, após ser vaiado em uma partida da final da NBA. Sua ausência não significou total alienação: ele endossou a anulação da expulsão de Folarin Balogun, atacante da US Soccer, nas oitavas de final contra a Bélgica, uma conspiração política que forçou a FIFA a agir. Além disso, Trump aproveitou a atenção voltada à Copa para promover políticas polêmicas, como a abertura de uma nova frente de guerra no Irã e a imposição de tarifas a vários países, incluindo o Brasil.
Detenções em massa durante a Copa
No contexto interno, o temor de que o ICE aproveitasse a Copa para promover detenções em massa se confirmou. Entre os dias 26 e 30 de junho, cerca de 10 mil pessoas foram detidas, uma média de 2 mil por dia, quase o dobro do início do ano. De acordo com reportagem do New York Times, houve pressão da Casa Branca para aumentar o número de prisões, com 80% do pessoal voltado para operações de detenção. As operações ocorreram de modo discreto, não nos dias ou locais dos jogos.
A final: ingressos e expectativas
A final ainda tem ingressos disponíveis por cerca de US$ 9 mil (R$ 45 mil) no site da FIFA. O público presente estará em um ambiente controlado, e Trump fará do encerramento um evento de celebração pessoal, após avançar em suas políticas caóticas e gerar manchetes impactantes. Ele deve aparecer ao lado da taça, seja com Messi ou com Rodri, da Espanha.
Análises e debates
O Ludopédio promoveu uma conversa entre o historiador Victor de Leonardo Figols, especialista em futebol espanhol, e o cientista político Jefferson Nascimento, autor do livro “Na grande área do poder: o futebol além das quatro linhas na Argentina e no Brasil (1930-2002)”. O debate abordou nacionalismo, xenofobia, racismo e política, e está disponível no canal do Ludopédio.



