Kevin Warsh enfrenta resistência de Christopher Waller sobre forças-tarefas no Fed
Warsh enfrenta resistência de Waller sobre forças-tarefas no Fed

O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, está enfrentando resistência interna em sua tentativa de implementar mudanças estruturais na autoridade monetária, incluindo a criação de forças-tarefas voltadas à supervisão bancária e à política monetária. A oposição mais vocal parte do diretor Christopher Waller, segundo reportagem de um jornal de grande circulação. A divergência expõe tensões dentro do comitê de política do banco central dos Estados Unidos, que debate há meses reformas operacionais.

Contexto da resistência

De acordo com a publicação, Warsh propôs a formação de forças-tarefas temporárias para agilizar a análise de riscos sistêmicos e a resposta a crises. A ideia é que grupos multidisciplinares, com membros de diferentes diretorias, possam atuar com maior flexibilidade em temas complexos, como criptomoedas e mudanças climáticas. Waller, no entanto, teria manifestado preocupações de que a medida poderia enfraquecer a hierarquia tradicional do Fed e criar conflitos de competência entre as áreas.

O jornal aponta que Waller não é o único crítico, mas sua posição como diretor com experiência em pesquisa econômica dá peso à oposição. Fontes próximas ao conselho indicam que ao menos três dos sete membros da diretoria do Fed compartilham reservas semelhantes, embora nenhum tenha se manifestado publicamente.

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Disputa interna no Fed

A resistência de Waller não surpreende analistas. O diretor, nomeado em 2020 pelo então presidente Donald Trump, é conhecido por suas visões conservadoras sobre a independência do banco central e a estrutura de governança. Em discursos anteriores, Waller defendeu que mudanças operacionais devem ser amplamente debatidas e baseadas em evidências empíricas, evitando reformas apressadas. A proposta de Warsh, que assumiu a presidência em 2022, é vista por Waller como uma tentativa de concentrar poder no comitê executivo.

O Fed tem sete membros na diretoria, incluindo o presidente e o vice-presidente. A criação de forças-tarefas exigiria alterações no regimento interno, que atualmente estabelece comitês permanentes para cada área. Waller argumenta que o modelo atual já permite grupos de trabalho informais e que uma formalização poderia burocratizar processos.

Possíveis consequências

A divergência interna ocorre em um momento delicado para a política monetária dos EUA. O Fed enfrenta pressões para controlar a inflação sem prejudicar o mercado de trabalho. Caso a resistência de Waller e outros diretores se mantenha, Warsh pode ter dificuldades para aprovar outras reformas, como ajustes na comunicação de decisões de juros. A implementação das forças-tarefas, se aprovada, poderia alterar a dinâmica de tomada de decisão, dando mais agilidade a temas emergenciais.

Especialistas consultados pelo jornal avaliam que a disputa não deve escalar a ponto de prejudicar a atuação do Fed, mas revela a dificuldade de consenso em um órgão colegiado com visões heterogêneas. A ausência de uma posição unificada pode atrasar iniciativas importantes, como a regulação de stablecoins e a integração de fatores climáticos na supervisão bancária.

Próximos passos – A diretoria do Fed deve discutir a proposta na reunião de janeiro, segundo fontes. Warsh precisará de pelo menos quatro votos favoráveis para aprovar a mudança regimental. Até lá, o presidente tenta convencer os críticos com estudos de caso de bancos centrais que adotaram estruturas similares, como o Banco da Inglaterra. O resultado pode sinalizar o ritmo de reformas no Fed nos próximos anos.

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