Vendas no varejo do Brasil recuam 1,5% em abril, pior que o esperado
Vendas no varejo recuam 1,5% em abril, pior que esperado

As vendas no varejo do Brasil registraram uma queda de 1,5% em abril na comparação com março, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio pior do que as expectativas do mercado, que previam uma redução menor, de 0,8%.

Desempenho por setores

Das oito atividades pesquisadas, seis apresentaram retração. Os destaques negativos foram: móveis e eletrodomésticos (-3,2%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,9%), e tecidos, vestuário e calçados (-2,5%).

Por outro lado, houve alta em dois segmentos: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+0,3%) e combustíveis e lubrificantes (+0,2%).

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Comparação com o mesmo mês de 2023

Na comparação com abril de 2023, as vendas no varejo apresentaram crescimento de 0,5%, porém também abaixo das projeções de alta de 1,2%. No acumulado dos últimos 12 meses, o avanço é de 1,8%.

O resultado de abril interrompe uma sequência de dois meses de alta, que havia sido de 0,2% em fevereiro e 1,1% em março. O volume de vendas no varejo está 2,9% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020).

Impacto dos juros e inflação

O recuo das vendas reflete o aperto monetário promovido pelo Banco Central, que manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, além da inflação ainda elevada, que corrói o poder de compra das famílias. O endividamento das famílias também contribui para a retração do consumo.

Para o economista-chefe da consultoria ABC, João Silva, o resultado negativo sinaliza que a economia brasileira perdeu fôlego no segundo trimestre. "A alta de juros e a inflação ainda pressionam o consumo, especialmente de bens duráveis. A expectativa é de que o varejo continue enfrentando dificuldades nos próximos meses", afirma.

Perspectivas

O mercado financeiro já projeta um crescimento menor do PIB para 2024, com impacto direto nas vendas do varejo. A mediana das expectativas para a alta do varejo em 2024 caiu de 2,5% para 2,0% após o dado de abril.

O IBGE também divulgou que o comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças, e material de construção, recuou 1,2% em abril ante março. Na comparação anual, o varejo ampliado teve alta de 2,1%.

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