O governo federal estuda autorizar a venda direta de gás natural de produtores para grandes indústrias, pulando a etapa dos distribuidores. A medida, em análise no Ministério de Minas e Energia, tem como objetivo reduzir o custo do insumo para o setor industrial, que atualmente paga um dos preços mais altos do mundo.
Como funcionaria o novo modelo
Pela proposta, empresas como a Petrobras poderiam firmar contratos bilaterais com indústrias de médio e grande porte, sem a necessidade de passar pelas concessionárias estaduais de distribuição. O modelo já é utilizado em países como Estados Unidos e Argentina, onde a competição gerou queda nos preços.
Segundo o ministro de Minas e Energia, a ideia é 'aumentar a concorrência e dar mais opções ao consumidor industrial, que hoje fica refém dos distribuidores locais'. Ele afirmou que a medida pode reduzir em até 20% o valor pago pelas fábricas.
Impactos para a indústria e o consumidor
A indústria é a maior consumidora de gás natural no Brasil, respondendo por cerca de 60% da demanda total. Com a redução de custos, setores como siderurgia, química e cerâmica podem ganhar competitividade. A expectativa é que a medida também beneficie o consumidor final, com reflexos nos preços de produtos industrializados.
No entanto, especialistas alertam para possíveis complicações logísticas e contratuais, já que a infraestrutura de transporte continua sendo controlada pelas distribuidoras. 'É preciso garantir que haja transparência nos custos de transporte para que a venda direta realmente gere economia', ponderou um analista do setor.
Próximos passos
A proposta ainda precisa ser discutida com os estados e com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O governo pretende enviar um projeto de lei ao Congresso ainda este ano. Entidades industriais, como a CNI, elogiaram a iniciativa, mas pedem 'regras claras e estáveis' para evitar judicialização.



