O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país pretende controlar o Estreito de Ormuz e cobrar uma taxa de 20% sobre as cargas que passarem pela rota. A declaração, feita nesta segunda-feira (13), fez o barril do petróleo Brent, referência internacional, subir mais de 9%, atingindo US$ 83,04.
Nova dinâmica no mercado de petróleo
A crise no Estreito de Ormuz criou um 'novo normal' para o mercado de petróleo. Ameaças militares, decisões geopolíticas e disputas pelo controle da passagem passaram a afetar preços, transporte e cadeias globais de abastecimento, mesmo sem um bloqueio completo da rota. A região tornou-se uma importante ferramenta de pressão do Irã no conflito com os EUA e um desafio para Trump, que enfrenta os efeitos econômicos da escalada às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro.
Segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior, 'a principal característica desse novo cenário é a volatilidade e a incerteza. Não se trata da falta de petróleo em si, porque isso não tem acontecido. Mas a possibilidade de interrupção faz com que armadores, seguradoras e refinarias reajam de forma preventiva, elevando os custos em um efeito chicote mesmo antes de um bloqueio de fato'.
Estreito de Ormuz como referência de preços
O economista Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), afirma que o Estreito de Ormuz se tornou a principal referência para a formação dos preços do petróleo no curto e médio prazo. Ele acrescenta que os conflitos recentes, incluindo a guerra entre Rússia e Ucrânia, mostraram uma relação cada vez mais estreita entre segurança energética, segurança alimentar e inflação. 'O novo normal vai além do Estreito de Ormuz. Existem duas áreas do mundo que estão passando por processos complicados e que levam a esse cenário', diz.
O estreito liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. Cerca de 20% do petróleo consumido globalmente passa por ali.
Impacto nas eleições americanas
A volatilidade do petróleo representa um desafio adicional para Trump, que tem defendido preços mais baixos de energia como forma de estimular a economia americana e conter a inflação. Nos EUA, uma alta do barril tende a chegar rapidamente aos combustíveis, já que o governo não controla os preços da gasolina.
Para Gunter Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, o Irã identificou esse ponto de vulnerabilidade dos EUA. 'O Irã ganhou a guerra justamente porque entendeu que o Estreito de Ormuz fechado faria com que o preço do petróleo e dos combustíveis subisse nos EUA. Isso afeta o eleitor, atingindo até mesmo a base MAGA do presidente Trump', afirma.
Os preços da gasolina já voltaram a subir nos EUA. Segundo a associação automobilística AAA, a média nacional do combustível chegou a US$ 3,84 por galão em 9 de julho, alta de 5 centavos em um dia, embora ainda abaixo do pico de US$ 4,56 registrado em maio.
Perspectivas para o mercado
Adriano Pires avalia que um petróleo acima de US$ 90 por barril seria um problema político para Trump às vésperas das eleições. 'Até novembro, acho que não vai ter petróleo acima de US$ 90. Sabemos que terá eleição americana, e petróleo muito caro aumenta o preço da gasolina e dos derivados nos EUA', afirma.
Jackson Campos conclui que a tendência é o mercado se adaptar a essa nova realidade, diversificar fornecedores e buscar contratos mais flexíveis para tentar fugir de Ormuz enquanto a situação não se estabiliza.



