Negociações sobre tarifas dos EUA não são prioridade antes das eleições, diz ex-secretário
Tarifas EUA-Brasil: negociações adiadas para após eleições

O governo brasileiro não deve priorizar as negociações sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos antes das eleições, de acordo com Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior. Em entrevista, Barral afirmou que as discussões para um acordo bilateral podem ser adiadas para o próximo ano, uma vez que o foco atual está nas eleições brasileiras e em outras prioridades da agenda norte-americana.

Ex-secretário prevê adiamento das negociações

Welber Barral, que comandou a Secretaria de Comércio Exterior do Brasil, acredita que o governo brasileiro não fará da negociação das tarifas uma prioridade neste momento. "O governo está focado nas eleições e na agenda doméstica. As tratativas com os EUA devem ficar para 2027", disse. Ele ressaltou que os Estados Unidos também têm suas próprias prioridades, o que dificulta avanços imediatos.

Ex-ministro vê motivação política nas tarifas de Trump

Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda, ofereceu uma análise diferente, destacando que as tarifas impostas por Donald Trump têm motivação político-ideológica contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Trump usa as tarifas como arma política contra Lula. Não é uma questão comercial, é uma questão de confronto ideológico", afirmou Ricupero. Ele sugere que o Brasil diversifique suas relações comerciais, buscando mercados na Ásia e em outras regiões para reduzir a dependência dos EUA.

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Impacto econômico e perspectivas

Enquanto as negociações bilaterais estão em compasso de espera, o Brasil já sente os efeitos das tarifas sobre produtos como aço e alumínio. Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA caíram 12% em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Economia. A expectativa é que, após as eleições, haja uma retomada do diálogo, mas sem garantias de avanços rápidos.

Barral ressalta que o Brasil precisa manter canais abertos com Washington, mas sem pressa. "Não adianta correr para negociar se não houver ambiente político favorável", ponderou. Já Ricupero defende uma estratégia de longo prazo, com foco em acordos com a União Europeia e a China.

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