Tarifaço pode atingir 40% das exportações aos EUA, perde alcance
Tarifaço pode atingir 40% das exportações aos EUA

O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos pode atingir até 40% das exportações brasileiras para o mercado americano, mas perdeu alcance em relação à proposta inicial, após negociações de última hora. A medida, que entra em vigor em 30 dias, afeta principalmente os setores de aço, alumínio e produtos agrícolas.

Setores mais afetados

De acordo com o Ministério da Economia, as tarifas adicionais variam de 10% a 25% sobre uma cesta de 200 produtos. O aço e o alumínio, que já sofriam com sobretaxas desde 2018, terão aumento de 25%. Já produtos como suco de laranja, café e carne bovina terão tarifas de 10% a 15%. "O impacto é significativo, mas poderia ser pior", afirma o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz.

Negociações reduzem escopo

Inicialmente, a proposta americana previa tarifas sobre 500 produtos, com alíquotas de até 50%. Após pressão do governo brasileiro e de associações comerciais, o escopo foi reduzido. "Conseguimos excluir itens como minério de ferro e celulose, que representam 15% das exportações", disse Ferraz. No entanto, o setor de carnes, que responde por 8% do total exportado aos EUA, permanece na lista.

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Impacto na balança comercial

Em 2025, o Brasil exportou US$ 38 bilhões aos Estados Unidos. Com as novas tarifas, estima-se que as exportações caiam entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões no primeiro ano. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que 40% dos produtos brasileiros enviados aos EUA serão afetados. "É um duro golpe para setores como o de calçados e têxteis, que já enfrentam concorrência asiática", alerta o presidente da CNI, Robson Andrade.

Reações do governo brasileiro

O governo brasileiro estuda medidas de retaliação, como a elevação de tarifas sobre produtos americanos como trigo, milho e medicamentos. Também planeja recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). "Não vamos aceitar passivamente essa agressão comercial", afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes. A expectativa é que as negociações continuem nas próximas semanas para evitar uma escalada.

Perspectivas para o futuro

Especialistas apontam que o tarifaço pode acelerar a diversificação das exportações brasileiras. "O Brasil precisa buscar novos mercados na Ásia e na Europa", recomenda o economista Carlos Braga, da FGV. Enquanto isso, empresas exportadoras já começam a renegociar contratos e buscar alternativas logísticas. A indústria de aço, por exemplo, planeja redirecionar parte da produção para o mercado interno e para a América do Sul.

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