O tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que entrou em vigor nesta semana, conta com mais de 2 mil exceções que limitam seu impacto econômico, mas especialistas alertam para efeitos políticos e setoriais. Entre os produtos isentos estão terras-raras, carne bovina, café solúvel brasileiro e componentes eletrônicos. O JPMorgan avalia que o impacto econômico direto é limitado, mas o efeito político é mais significativo.
Exceções estratégicas amenizam o tarifaço
As isenções abrangem itens considerados estratégicos para a economia americana, como minerais críticos (terras-raras) e alimentos básicos. O café solúvel brasileiro, por exemplo, ficou livre das tarifas, garantindo a continuidade das exportações. A medida beneficia diretamente o agronegócio nacional, que já enfrentava desafios com o chamado “custo Brasil”.
Segundo a Fiesp, o tarifaço “se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado”. A entidade criticou a postura do governo federal, defendendo uma ação mais incisiva para evitar a escalada protecionista.
Impacto econômico limitado, mas alerta político
O JPMorgan destaca que o tarifaço tem um impacto econômico limitado no curto prazo, mas o efeito político é mais importante. “A retórica protecionista de Trump pode influenciar as eleições de 2026 e afetar a confiança dos investidores”, afirma o banco. No Brasil, o sinal da Fazenda sobre isentos aponta para um ajuste fiscal pós-eleição, segundo a ARX Investimentos.
O mercado reagiu com queda do Ibovespa para 175 mil pontos e alta dos juros futuros. O Tesouro IPCA+ viu suas taxas subirem por toda a curva, acompanhando os Treasuries americanos.
Brasil pode retaliar com royalties e patentes
Como resposta, o Brasil estuda medidas de retaliação que podem envolver royalties e patentes farmacêuticas. A chamada Lei da Reciprocidade, usada no primeiro tarifaço dos EUA, permite ao país impor barreiras equivalentes. O governo avalia setores onde os EUA são mais vulneráveis, como medicamentos e tecnologia.
Políticos brasileiros reagiram de forma dividida. Enquanto o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o senador Flávio Bolsonaro atacaram o presidente Lula, o governo federal culpou a gestão anterior. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, foi alvo de representação na PGR após xingar indígenas.
Setores específicos sob pressão
Além do agronegócio, setores como o de chips de memória chineses estão na mira. Legisladores americanos pedem que o governo Trump proíba a compra desses componentes, o que pode afetar a cadeia global de tecnologia. Enquanto isso, a TSMC prometeu investir mais US$ 100 bilhões para ampliar a produção de chips nos EUA.
No Brasil, a Copel caiu 3% após elevar a meta de alavancagem, e a Movida dobrou o lucro líquido no 2º tri de 2026, para R$ 135,6 milhões. A Ânima desabou 33% após a compra da FMU, gerando dúvidas sobre o futuro do papel.
Perspectivas para investidores
Com a volatilidade, investidores buscam alternativas. A renda fixa continua atrativa, com CDBs, LCIs e LCAs oferecendo boas taxas. Hedge funds chineses que lucraram com inteligência artificial começam a buscar saída, enquanto a Kinea questiona se US$ 1 trilhão investido em IA terá retorno. Fundos imobiliários, como o HGRE11, vendem ativos e propõem novas emissões.
Para quem deseja se proteger, especialistas recomendam diversificação e atenção às oportunidades em setores isentos, como o café solúvel. A XP Educação abriu inscrições para bolsas gratuitas em formação de IA, do zero ao intermediário.



