O novo tarifaço dos Estados Unidos, anunciado recentemente, já repercute nos mercados globais. A medida, que impõe tarifas sobre uma ampla gama de produtos importados, conta com mais de 2 mil exceções, incluindo itens como terras-raras, carne e café. Apesar das isenções, o impacto é sentido na bolsa brasileira: o Ibovespa opera em queda, aos 174 mil pontos, refletindo a incerteza gerada pela política comercial americana.
Exceções e impactos setoriais
As exceções ao tarifaço foram desenhadas para proteger setores estratégicos da economia americana. Terras-raras, essenciais para a produção de eletrônicos e baterias, estão na lista de isenções, assim como carne e café, que são produtos de grande importância para países exportadores como o Brasil. No entanto, mesmo com essas exceções, o clima de aversão ao risco predomina.
Segundo analistas, a medida pode gerar retaliações comerciais e afetar cadeias produtivas globais. O Brasil, por exemplo, estuda retaliar os EUA com medidas que envolvem royalties e patentes farmacêuticas, conforme noticiado. A Fiesp criticou a postura do governo federal, afirmando que o tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado.
Mercados em movimento
Nos EUA, o S&P 500 e o Nasdaq caem, puxados por perdas no setor de chips. A TSMC, gigante taiwanesa de semicondutores, divulgou lucro acima do esperado no 2º trimestre, mas o mercado segue cauteloso. No Brasil, a Copel cai 3% após elevar a meta de alavancagem, e o JPMorgan adota cautela sobre os dividendos da empresa.
O Tesouro IPCA+ também sobe por toda a curva, seguindo o movimento dos Treasuries americanos. A sinalização da Fazenda sobre isentos aponta para um ajuste fiscal pós-eleição, segundo a ARX.
Oportunidades em meio à turbulência
Apesar do cenário negativo, alguns gestores veem oportunidades. Hedge funds chineses que lucraram com inteligência artificial começam a buscar saída, mas a Kinea questiona se o US$ 1 trilhão investido em IA terá mesmo retorno. No mercado de FIIs, a recompra de cotas começa a dar resultado, segundo gestores.
Para o investidor pessoa física, há opções como bolsas grátis para formação em IA oferecidas pela XP Educação, além de e-books e ferramentas gratuitas, como a Calculadora de Renda Fixa e a Planilha de Gastos.
Política e retaliação
No campo político, o tarifaço gerou reações no Brasil. O presidente Lula afirmou que é triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro. Por outro lado, Flávio Bolsonaro e o governador de Minas Gerais, Zema, atacaram Lula, culpando-o pela ação dos EUA. O governador de Santa Catarina também foi alvo de representação na PGR após xingar indígenas.
A Lei da Reciprocidade, usada no primeiro tarifaço dos EUA, é novamente citada como base legal para a medida. O Brasil estuda retaliar com royalties e patentes farmacêuticas, enquanto o governo americano sinaliza abertura para negociação.
Cenário global e riscos
No cenário internacional, o Irã ameaça fechar mais rotas marítimas, elevando a tensão sobre o estreito de Ormuz. Israel intensifica ataques em Gaza, deixando mais 5 mortos, e o número de mortos confirmados em terremotos na Venezuela passa de 4,8 mil. Trump, por sua vez, deve fazer das teorias conspiratórias sobre eleições o foco de um pronunciamento.
O tarifaço americano se soma a esses riscos geopolíticos, criando um ambiente de alta volatilidade. Para os investidores, a recomendação é diversificar e buscar ativos de qualidade, como títulos públicos indexados à inflação e fundos imobiliários com boa gestão.



