Tarifaço dos EUA ameaça produção e empregos no Brasil
Tarifaço dos EUA ameaça produção e empregos no Brasil

Setores da indústria brasileira, especialmente calçados e roupas, estão em alerta com o anúncio de uma tarifa adicional dos Estados Unidos sobre produtos importados. As entidades representativas temem impacto direto na produção, no emprego e nos investimentos, além de perda de competitividade no mercado norte-americano.

Entidades alertam para riscos

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a medida pode reduzir as exportações brasileiras em até 15% no setor, afetando milhares de empregos. “A tarifa adicional compromete a competitividade dos nossos produtos e pode levar a uma queda significativa na produção”, afirmou o presidente da Abit, Fernando Pimentel, em nota.

O setor calçadista também se manifestou. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima que as exportações para os EUA, que representam cerca de 20% do total do setor, podem cair 10% com a nova tarifa. “Isso significa menos encomendas, menos produção e, infelizmente, menos empregos”, disse o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira.

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Impacto na economia e defesa de negociação

As entidades defendem que o governo brasileiro busque uma solução negociada com os Estados Unidos para evitar o agravamento da situação. “Precisamos de diálogo para evitar uma guerra comercial que prejudique ambos os países”, destacou Pimentel.

O setor industrial como um todo também está preocupado. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que a tarifa adicional pode desestimular investimentos estrangeiros no Brasil e afetar a cadeia produtiva. “A perda de competitividade não se limita às exportações; ela afeta todo o ecossistema industrial”, afirmou a CNI em comunicado.

Números e projeções

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 31 bilhões em 2023. Com a tarifa adicional, estima-se uma redução de 5% a 10% nesse fluxo, impactando setores como calçados, roupas, aço e alumínio.

No setor têxtil, as exportações para os EUA representam cerca de 25% do total. “Cada ponto percentual de queda significa milhões de dólares em receita e centenas de postos de trabalho ameaçados”, calcula a Abit.

As entidades continuam monitorando a situação e esperam que o governo brasileiro atue rapidamente para minimizar os danos. “A solução negociada é o melhor caminho para preservar empregos e a competitividade da indústria nacional”, concluiu Ferreira.

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