Tarifaço de Trump: 2 mil exceções e impactos no Brasil; veja análise
Tarifaço de Trump: 2 mil exceções e impactos no Brasil

O novo tarifaço dos Estados Unidos, anunciado pelo presidente Donald Trump, inclui mais de 2 mil exceções, abrangendo terras-raras, carne, café e outros produtos, o que limita o impacto imediato sobre a economia brasileira. No entanto, especialistas alertam para riscos de retaliação e volatilidade nos mercados. O Brasil já estuda medidas de resposta, que podem envolver royalties e patentes farmacêuticas.

Exceções suavizam tarifaço, mas preocupações persistem

O tarifaço, que entrou em vigor nesta quinta-feira (16), impõe tarifas de 10% sobre uma ampla gama de produtos importados, mas as exceções reduzem o alcance da medida. Entre os itens isentos estão terras-raras, carne bovina, café, soja e minério de ferro, todos de grande relevância para as exportações brasileiras. Segundo o governo americano, a lista de exceções foi elaborada para evitar impactos em setores estratégicos e na cadeia de suprimentos doméstica.

Apesar disso, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a postura do governo federal. Em nota, a entidade afirmou que o tarifaço "se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado" com uma política comercial mais ativa. A Fiesp também destacou que as tarifas podem afetar setores como o de máquinas e equipamentos, que não estão na lista de exceções.

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Brasil estuda retaliação com royalties e patentes farmacêuticas

O governo brasileiro avalia retaliar os Estados Unidos com medidas que incluem a suspensão de royalties e patentes farmacêuticas, conforme reportado pelo colunista do Valor Econômico. A estratégia visa pressionar Washington a renegociar os termos do tarifaço, utilizando instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil aplicar tarifas equivalentes a produtos americanos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o episódio: "É triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro", referindo-se à herança diplomática deixada pelo governo anterior.

Mercados reagem: Ibovespa cai e juros sobem

O Ibovespa fechou em queda aos 174 mil pontos, refletindo a aversão ao risco global. Entre as ações que mais caíram, destaque para a Copel (CPLE6), que recuou 3% após elevar sua meta de alavancagem. O JPMorgan manifestou cautela sobre o potencial de dividendos da empresa. No mercado de renda fixa, os juros do Tesouro IPCA+ subiram por toda a curva, acompanhando o movimento dos Treasuries americanos. A taxa do título com vencimento em 2035 alcançou 6,2% ao ano, ante 6,0% no pregão anterior.

O dólar comercial fechou em alta de 0,8%, cotado a R$ 5,45, refletindo a busca por proteção cambial. Analistas do mercado financeiro apontam que o tarifaço é apenas um dos fatores que pressionam a bolsa; há também preocupações com o cenário fiscal doméstico e a desaceleração da economia global.

Setor produtivo reage: Fiesp critica governo

A Fiesp emitiu comunicado no qual critica a falta de preparo do governo brasileiro para lidar com o tarifaço. "O Brasil poderia ter evitado esse cenário se tivesse negociado previamente com os EUA", diz o texto. A entidade também alerta para o impacto sobre o emprego e a competitividade da indústria nacional. Por outro lado, o governo de São Paulo, sob comando de Tarcísio de Freitas, foi alvo de críticas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que o classificou como "frouxo e pouco transparente" na gestão da crise.

Perspectivas: negociação ou escalada?

Diante do impasse, o Brasil busca uma saída negociada. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o país está aberto ao diálogo, mas não descarta medidas de retaliação. "Temos instrumentos legais para responder, mas preferimos o caminho da negociação", declarou. Enquanto isso, o mercado acompanha de perto os próximos passos de Trump, que pode ampliar as tarifas caso não obtenha concessões.

Para investidores, a recomendação é cautela. O estrategista-chefe do banco ARX, Gabriel Cunha, avalia que o sinal da Fazenda sobre isentos aponta para um ajuste fiscal pós-eleição, o que pode trazer alívio no médio prazo. No curto prazo, porém, a volatilidade deve continuar elevada.

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