Governo brasileiro reage com duras críticas às novas tarifas dos EUA
O governo brasileiro classificou como um 'marco lastimável' o anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos, prometendo retaliar com medidas recíprocas e acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC). Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Economia afirmaram que as barreiras impostas pela administração Trump representam um retrocesso para o comércio global.
Segundo o comunicado, as tarifas afetarão diretamente exportações brasileiras de aço, alumínio e produtos agrícolas, setores que somaram mais de US$ 10 bilhões em vendas aos EUA no ano passado. O governo estima que o impacto pode reduzir o PIB brasileiro em até 0,3% caso as medidas se mantenham.
Reciprocidade imediata e ação na OMC
O Brasil anunciou que aplicará tarifas equivalentes sobre produtos norte-americanos, como milho, trigo e veículos, no mesmo valor estimado de US$ 5 bilhões. A medida entra em vigor em 30 dias, após consulta pública. Além disso, o país vai protocolar uma queixa formal na OMC, argumentando violação de acordos multilaterais.
'Não podemos aceitar imposições unilaterais que desrespeitam as regras do comércio internacional', disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista coletiva. 'Vamos defender nossos interesses com todos os instrumentos disponíveis.'
Impacto para o agronegócio e indústria
O agronegócio brasileiro é um dos mais afetados, especialmente a soja, carne bovina e suco de laranja. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima perdas de R$ 15 bilhões no curto prazo. Já a indústria siderúrgica, que vinha se recuperando, pode enfrentar nova retração.
Em resposta, o governo estuda linhas de crédito especiais para os setores prejudicados, além de acelerar negociações com outros parceiros comerciais, como a União Europeia e a China. 'Vamos diversificar nossos mercados para reduzir a dependência dos EUA', afirmou o ministro das Relações Exteriores, Carlos França.
Reações internacionais e próximos passos
A União Europeia também criticou as tarifas americanas, enquanto a China sinalizou apoio ao Brasil na OMC. Analistas apontam que a ação brasileira pode inspirar outros países a retaliar, aumentando o risco de uma guerra comercial global.
O governo brasileiro convocou uma reunião de emergência do Mercosul para alinhar estratégias. O embaixador do Brasil em Washington foi instruído a solicitar reunião urgente com o representante comercial dos EUA. Enquanto isso, a equipe econômica prepara um pacote de medidas para mitigar os efeitos internos, incluindo redução temporária de impostos para exportadores.



