Tarifa dos EUA ao Brasil só perde para a China, aponta monitor suíço
Tarifa dos EUA ao Brasil só perde para a China

Com o aumento das tarifas anunciado na última quarta-feira pelo governo americano, as taxas efetivas cobradas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros exportados para aquele que é o maior mercado consumidor do mundo só serão superadas pela China no ranking de países tarifados. A estimativa é da iniciativa suíça Global Trade Alert, que monitora os acordos comerciais e as sobretaxas cobradas pelos EUA aos diversos países mundo afora.

Tarifa média e itens isentos

A tarifa média soma a cobrança das tarifas sobre todos os produtos exportados aos EUA, incluindo os 2,1 mil itens que estão isentos, ou seja, têm essa tarifa zerada. No caso do Brasil, entram nessa lista o café, carnes, suco de laranja e peças aeroespaciais. Por isso, a tarifa média é menor do que os 25% definidos pelo governo americano.

Antes do anúncio da última quarta-feira, a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros era de 11,7%. Agora, já considerando a aplicação da Seção 301, de 25% com algumas exceções a partir do próximo dia 22, a tarifa média estimada ao país sobe para 18,22%. Isso porque ainda está em vigor uma sobretaxa de 10% imposta pela Seção 122, que expira no próximo dia 25.

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Impacto na arrecadação e exposição setorial

“Assim, a arrecadação anual implícita com tarifas sobre produtos brasileiros passa de US$ 4,6 bilhões atualmente para US$ 7,2 bilhões durante o período de sobreposição, antes de recuar para US$ 5,7 bilhões”, diz estudo divulgado da Global Trade Alert. Segundo o monitor, dos US$ 39,6 bilhões em importações americanas de produtos brasileiros registradas em 2024, US$ 8,5 bilhões, ou cerca de 21%, estarão sujeitos à tarifa integral de 25%.

Mas a tarifa efetiva média de 18,22% será cobrada por pouco tempo. Como a outra, de 10%, expira quatro dias depois do início da sobretaxa de 25%, no dia 25 de julho, a tarifa efetiva média sobre as exportações brasileiras ao EUA deve cair a 14,4% a partir do dia 26, estima o monitor.

Comparação global e posição do Brasil

De acordo com uma planilha compartilhada pelo monitor com O GLOBO, a tarifa efetiva de 18,22% coloca o país atrás apenas da China, que tem tarifa efetiva média de 26,7% sobre seus produtos destinados aos americanos. Se a tarifa efetiva cair para o nível de 14,4% após o dia 26, como estima o monitor, o Brasil figuraria na oitava posição do ranking, atrás de Turquia, Indonésia, Vietnã e Tailândia.

Antes do anúncio do tarifaço de 25%, ocorrido na quarta-feira, o Brasil ocupava o 13º lugar do ranking, atrás da Itália, Alemanha, Coreia do Sul e Japão, com a China ainda líder.

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