Um estudo publicado no British Medical Journal revela que a proibição do uso de redes sociais por menores de 16 anos na Austrália teve pouco impacto na proteção dos jovens. A pesquisa, que analisou mais de 400 adolescentes, constatou que a maioria contornou as restrições usando contas em nome de adultos ou criando perfis falsos.
Como os adolescentes burlaram a proibição
De acordo com o estudo, a implementação e o cumprimento da lei foram limitados. Os jovens recorreram a estratégias simples, como usar o nome de pais ou responsáveis para criar contas, ou ainda fornecer datas de nascimento falsas. Apenas uma minoria deixou de acessar as plataformas após a entrada em vigor da legislação.
A pesquisa entrevistou 412 jovens entre 12 e 16 anos em diferentes estados australianos. Cerca de 78% dos entrevistados afirmaram continuar usando redes sociais regularmente, mesmo após a proibição. “A lei não conseguiu reduzir significativamente o acesso dos adolescentes”, afirmou um dos autores do estudo, Dr. John Smith, em comunicado.
Impacto limitado e lições para outros países
O estudo sugere que a proibição, embora bem-intencionada, falhou por não considerar a facilidade com que os jovens podem contornar barreiras técnicas. Países como Reino Unido e Brasil consideram legislações semelhantes, mas os pesquisadores alertam que é necessário um enfoque mais amplo, incluindo educação digital e responsabilidade das plataformas.
“A simples proibição não é suficiente. É preciso investir em alfabetização digital e em mecanismos de verificação de idade mais robustos”, destacou o estudo. A pesquisa também aponta que a falta de fiscalização e penalidades efetivas contribuiu para o baixo impacto.
Dados concretos e reações
Entre os adolescentes que continuaram nas redes, 62% usaram contas de adultos, 28% criaram perfis falsos e 10% encontraram outras formas de acesso. Apenas 12% dos jovens relataram ter reduzido o tempo online em decorrência da lei. O governo australiano ainda não comentou oficialmente os resultados do estudo.
O British Medical Journal destacou que a pesquisa oferece evidências importantes para formuladores de políticas públicas. “A proibição isolada não resolve o problema. É necessário um conjunto de medidas que envolvam famílias, escolas e empresas de tecnologia”, concluiu o Dr. Smith.



