A China registrou em maio o terceiro aumento consecutivo nos preços ao produtor, atingindo o nível mais elevado desde julho de 2022. A inflação ao consumidor também permaneceu alta, impulsionada pelos custos de energia, que pressionam os fabricantes e elevam o custo de vida das famílias.
Pressões de custo e impacto nos lucros
As pressões de custo decorrentes do conflito no Irã podem comprimir os lucros das empresas e reduzir ainda mais o consumo interno, embora a demanda global relacionada à inteligência artificial tenha impulsionado alguns setores.
Para fabricantes fora da indústria de ponta, repassar os preços mais altos dos insumos aos consumidores continua sendo um desafio, evidenciando as dificuldades que as autoridades enfrentam para apoiar o mercado de trabalho e fortalecer a demanda interna, que ainda se mantém fraca.
Dados oficiais e setores beneficiados
O índice de preços ao produtor subiu 3,9% em maio em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. O resultado superou a previsão de 3,8% de uma pesquisa da Reuters e o aumento de 2,8% registrado em abril.
Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, afirmou que em setores com demanda sólida, como IA, as empresas conseguem repassar os custos mais altos dos insumos e até cobrar um sobrepreço dos consumidores finais. Esse não é o caso de setores como o automotivo, acrescentou.
O escritório informou que a demanda mais forte por poder de computação contribuiu para o aumento dos preços ao produtor. O índice subiu 0,5% em relação a abril, abaixo do avanço de 1,7% registrado no mês anterior.
Impacto dos preços de energia e conflito no Irã
Os preços da energia dispararam desde que Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã no final de fevereiro. As pressões de custo provavelmente persistirão, já que o fechamento do Estreito de Ormuz continua interrompendo os fluxos de petróleo e gás do Golfo Pérsico. A retomada dos fluxos levará tempo, mesmo após a reabertura da via navegável.
Inflação ao consumidor e preços de alimentos
Os preços ao consumidor subiram 1,2% em maio na comparação anual, puxados pelo aumento dos preços da gasolina, joias de ouro e serviços. O indicador repetiu a alta de 1,2% de abril, mas ficou abaixo da expectativa de 1,3% dos economistas.
Os preços dos alimentos caíram 1,7% em relação ao ano anterior, com destaque para a carne suína, que recuou 16,1%. Já os preços domésticos da gasolina caíram na comparação mensal, mas subiram 23,5% na base anual.
Lynn Song, economista-chefe da ING para a Grande China, comentou que os preços dos alimentos e dos imóveis estão ajudando a conter a inflação geral por enquanto. No entanto, o aumento mais generalizado dos preços sugere uma transição de um ambiente de deflação para um de inflação baixa.



