PIB dos EUA cresce 1,5% no 2º trimestre, abaixo do esperado
PIB dos EUA cresce 1,5% no 2º trimestre, abaixo do esperado

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos registrou crescimento de 1,5% em termos anualizados no segundo trimestre de 2024, conforme estimativa inicial divulgada pelo Bureau de Análise Econômica do Departamento de Comércio. O número ficou abaixo da mediana das expectativas de economistas consultados pela Reuters, que projetavam alta de 2,1%, com estimativas variando entre 0,8% e 2,9%.

Desaceleração econômica e composição do PIB

A desaceleração em relação ao ritmo de 2,1% registrado no primeiro trimestre foi impulsionada principalmente pelo aumento do déficit comercial. No entanto, a aceleração dos gastos do consumidor e o investimento robusto das empresas em equipamentos relacionados à implantação de infraestrutura de inteligência artificial apontam para uma força subjacente na economia norte-americana.

O relatório do PIB mostrou que os gastos do consumidor, que representam mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, dispararam a uma taxa de 3,2% no segundo trimestre. Esse crescimento contrasta com a desaceleração abrupta registrada no trimestre de janeiro a março, quando os gastos avançaram apenas 0,5%.

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Fatores que sustentam os gastos do consumidor

Segundo analistas, a resiliência dos gastos, apesar do conflito no Oriente Médio, foi apoiada por restituições de impostos mais altas neste ano, que serviram como um amortecedor contra os preços elevados da gasolina decorrentes da guerra. Além disso, as famílias de renda mais alta, beneficiando-se do forte crescimento dos preços dos ativos, também impulsionaram o consumo. A Copa do Mundo da Fifa e os gastos relacionados às eleições de meio de mandato por parte de organizações sem fins lucrativos também contribuíram para estimular a demanda.

O investimento em inteligência artificial continua a ser um motor significativo para a demanda interna. "O boom de investimentos em IA não mostra sinais de desaceleração, apesar das preocupações dos investidores sobre as avaliações de muitas empresas de tecnologia", afirmou um economista consultado pela Reuters. Esse fluxo de capital tem sustentado a atividade industrial e o setor de serviços.

Perspectivas e riscos para o segundo semestre

Economistas alertam que a guerra liderada pelos EUA contra o Irã, agora em seu sexto mês, representa um risco de queda para a demanda e, em última instância, para o crescimento econômico no segundo semestre do ano. A pesquisa da Reuters foi realizada antes da divulgação do relatório preliminar dos indicadores econômicos de junho, que mostrou uma contração moderada no déficit comercial de bens e estagnação dos estoques no varejo. Esses dados levaram alguns economistas a reduzir suas estimativas para o PIB em até 0,8 ponto percentual, para uma taxa de 1,5%.

Na quarta-feira, o Federal Reserve manteve sua taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Três membros discordaram, defendendo um aumento de 0,25 ponto percentual. O Fed descreveu a atividade econômica como "em expansão a um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio". Economistas esperam que o Fed aumente os juros já em setembro para conter a inflação, o que também influenciou suas expectativas de um crescimento econômico mais lento no segundo semestre.

Inflação e indicadores complementares

Paralelamente, o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE) subiu 0,1% em junho, levemente abaixo do esperado, com uma taxa anual de 3,3%. A combinação de crescimento abaixo do potencial e inflação persistente coloca o Fed em uma posição delicada, equilibrando o estímulo econômico com o combate à alta de preços.

Os dados do PIB e do PCE reforçam a visão de que a economia dos EUA está em um ponto de inflexão, com sinais de desaceleração, mas ainda com motores internos robustos. O mercado de trabalho continua apertado, com a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, o que sustenta a renda das famílias. Porém, o aumento dos juros e a incerteza geopolítica podem frear o ímpeto nos próximos meses.

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