Os preços do petróleo subiram nesta sexta-feira após as negociações entre Estados Unidos e Irã na Suíça serem abruptamente canceladas, evidenciando a incerteza persistente sobre os esforços para transformar um acordo provisório em um acordo de paz duradouro. Os preços chegaram a recuar momentaneamente depois que Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, concordaram com um cessar-fogo.
Movimentação dos preços
Os contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, subiram 0,66%, para US$ 80,38 por barril. Já os futuros do West Texas Intermediate (WTI) registraram alta de 1,23%, a US$ 77,54.
Cancelamento das negociações
O Ministério das Relações Exteriores da Suíça informou que as negociações entre EUA e Irã, previstas para ocorrer em Bürgenstock nesta sexta-feira, não aconteceriam como planejado. A Casa Branca também afirmou que o vice-presidente JD Vance não viajaria mais para a Suíça, citando problemas logísticos não resolvidos relacionados às negociações.
Declarações de Vance
Na quinta-feira, Vance disse que navios-tanque com mais de 12 milhões de barris cruzaram o estreito durante a noite. “Os iranianos, pela segunda noite consecutiva, não dispararam contra nenhuma embarcação no Estreito de Ormuz”, afirmou Vance a repórteres. “Até agora, eles estão cumprindo sua parte do compromisso.”
Posição da Opep
Separadamente, o secretário-geral da Opep, Haitham Al Ghais, disse à CNBC, em entrevista exclusiva, que a organização não espera que a demanda por petróleo atinja um pico no futuro previsível. Ele também rejeitou previsões da Agência Internacional de Energia que apontam para um excesso de oferta no futuro. “[Nos concentramos] nos fundamentos e não em adicionar muitos ‘se’ e ‘poréns’ às nossas previsões, mas sim em focar em números reais”, disse.
Perspectivas de curto prazo
Os preços do petróleo devem operar entre US$ 75 e US$ 82 por barril no curto prazo, com o Brent cerca de 36% abaixo do pico durante o conflito, disse Tiago Lacerda, analista de mercado da Axi, em e-mail à CNBC. “A atenção agora se volta rapidamente para se a reabertura física realmente ocorrerá: grandes companhias de navegação ainda não retomaram as rotas e os custos de seguro permanecem elevados, o que indica cautela do mercado quanto à velocidade da normalização”, afirmou Lacerda.



