O preço do petróleo disparou mais de 7% nesta terça-feira, com o barril do tipo Brent ultrapassando a marca de US$ 90, impulsionado por ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã. A alta reflete o temor de uma escalada no conflito no Oriente Médio, que pode interromper o fornecimento global da commodity.
Contexto das ameaças
Em discurso em um comício na Flórida, Trump afirmou que responderá de forma dura a um suposto ataque surpresa do Irã a bases americanas. "Se o Irã ousar atacar, a resposta será como nunca viram", declarou Trump, citando informações de inteligência sobre possíveis ações iranianas. A declaração elevou o prêmio de risco no mercado de petróleo, que já operava volátil devido a cortes de produção da Opep+.
Impacto nos mercados
O Brent, referência global, fechou a US$ 90,45, alta de 7,2%. O West Texas Intermediate (WTI) subiu 6,8%, para US$ 86,70. Analistas apontam que o mercado está precificando um risco imediato de interrupção no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. "A ameaça de Trump adiciona uma camada extra de incerteza a um mercado já tenso", disse Carlos Alberto, analista da XP Investimentos.
Reação das empresas
A alta do petróleo beneficiou ações de petroleiras. A Petrobras registrou ganho de 2,5% na B3, impulsionada também pelo anúncio de produção recorde em junho. Outras empresas do setor, como a Prio, também subiram. No entanto, o movimento pressiona a inflação global e pode influenciar a decisão do Federal Reserve sobre juros, que será divulgada amanhã.
Segundo dados do Departamento de Energia dos EUA, os estoques de petróleo caíram 3 milhões de barris na última semana, reforçando a escassez. O mercado agora aguarda os próximos passos diplomáticos e a reunião do Conselho de Segurança da ONU convocada para discutir a crise.



