O petróleo fechou em queda nesta terça-feira, 30, e registrou uma desvalorização de 20% em junho, impulsionado pelo cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã, que aumentou a oferta da commodity com a liberação das exportações iranianas. O movimento resultou na maior perda trimestral dos preços do petróleo desde 2020.
Desempenho dos contratos
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para agosto fechou em queda de 1,77% (US$ 1,25), a US$ 69,50 o barril. Já o Brent para setembro recuou 1,3% (US$ 0,96), a US$ 72,95 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). No mês, o WTI caiu 20,4% e o Brent, 19,9%. No trimestre, o WTI recuou 31,4% e o Brent, 29,8%. Já no semestre, o WTI subiu 21% e o Brent avançou 19,9%.
Negociações e volatilidade
O petróleo oscilou volátil na sessão, em meio a informações divergentes sobre negociações entre autoridades dos EUA e Irã. Enviados do presidente norte-americano Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, desembarcaram nesta terça em Doha, no Catar, para um possível encontro com representantes do país persa. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, negou a realização de conversas diplomáticas com os americanos, mas disse que discussões técnicas seriam realizadas ainda nesta terça em Doha.
Impacto da oferta iraniana
Segundo dados da plataforma de monitoramento marítimo Tanker Tracker, o Irã já exportou 50 milhões de barris de petróleo desde que o bloqueio imposto pelos EUA foi suspenso há duas semanas para dar início a negociações de paz. Para o ING, é uma surpresa o ritmo agressivo da liquidação no mercado de petróleo. Com a queda de junho, a commodity se aproximou dos níveis pré-guerra de fevereiro e registrou o maior recuo trimestral desde o início de 2020, no contexto da pandemia de covid-19.
Análise de mercado
“A dinâmica dos preços nas últimas semanas reflete um mercado que está tratando este cessar-fogo temporário entre os EUA e o Irã como um acordo permanente”, afirmaram os analistas do banco holandês ING. Segundo o The Wall Street Journal, uma luta pelo poder dentro de Teerã está ameaçando as negociações de paz, e militares linha-dura da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) pressionam pelo controle do Estreito de Ormuz.



