Petróleo cai 2% com temores de demanda e tensões EUA-Irã
Petróleo cai 2% com temores de demanda e tensões EUA-Irã

Os preços do petróleo registraram queda de aproximadamente 2% nesta quinta-feira, pressionados por receios de que o aumento da inflação e outras preocupações econômicas possam reduzir a demanda global pela commodity, mesmo diante de restrições contínuas de oferta e do agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, que atrasou a reabertura total do Estreito de Ormuz. Cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo transitava pelo estreito antes do início da guerra.

Queda nos contratos futuros

Os contratos futuros do Brent recuaram US$ 1,72, ou 2,2%, encerrando a US$ 76,30 o barril. Já o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos caiu US$ 1,44, ou 2,0%, fechando a US$ 72,08. Na quarta-feira, o Brent havia atingido o maior nível desde 19 de junho, e o WTI, desde 22 de junho.

Escalada militar no Oriente Médio

As forças armadas iranianas lançaram ataques contra infraestruturas militares dos EUA em países do Golfo Pérsico nesta quinta-feira, em resposta a ataques americanos às províncias do litoral sul e leste do Irã. A ação colocou ainda mais pressão sobre um acordo de cessar-fogo que já durava três semanas. Os ataques ocorreram no mesmo dia em que o Irã enterrou seu líder supremo assassinado, o aiatolá Ali Khamenei, no santuário de Mashhad, ponto alto de uma semana de cortejos fúnebres em massa e manifestações. Khamenei foi morto no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro. Explosões também foram ouvidas em várias localidades do Irã, incluindo Bushehr, onde está localizada uma das usinas nucleares do país.

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Perspectivas de curto prazo

“Esperamos que a renovada tensão no Oriente Médio entre os EUA e o Irã seja relativamente de curta duração, pois ambos os países estão limitados por realidades econômicas e políticas práticas”, afirmou Vikas Dwivedi, estrategista global de energia do Macquarie Group, em uma nota. O Catar, que frequentemente atua como mediador entre Washington e seus adversários, incluindo Teerã, condenou os ataques à navegação comercial e pediu o retorno à diplomacia. Os ministros das Relações Exteriores da Turquia e de Omã também enfatizaram a necessidade de evitar uma nova escalada militar em conversas com seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi.

Sinais de desescalada

“Após dois dias de ataques, o Irã parece estar em contato telefônico buscando reduzir as hostilidades e, possivelmente, retornar à mesa de negociações”, afirmou Bob Yawger, diretor de futuros de energia do Mizuho, em uma nota. A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que os ataques dos EUA e a intervenção no redirecionamento da navegação pelo Estreito de Ormuz estavam atrapalhando a reabertura gradual da via navegável.

Impacto nos fluxos de petróleo

“Nossas estimativas de fluxos de petróleo do Golfo Pérsico se recuperaram para mais de 80% dos níveis pré-guerra nos primeiros 10 dias após a reabertura de Ormuz, à medida que petroleiros retidos se apressavam a deixar o Golfo Pérsico, mas recuaram para cerca de 70% do normal após os recentes ataques a petroleiros”, afirmaram analistas do banco norte-americano Goldman Sachs em um relatório.

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