Pessimismo empresarial atinge maior nível desde a pandemia de Covid
Pessimismo empresarial é o maior desde a Covid

O pessimismo entre os empresários brasileiros atingiu o maior nível desde o início da pandemia de Covid-19, segundo a mais recente pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu pelo quarto mês consecutivo em junho, alcançando 92,1 pontos, o menor patamar desde abril de 2020, quando marcou 87,4 pontos.

Queda generalizada entre setores

A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, 14 de julho, mostra que a deterioração da confiança foi disseminada entre os setores. O índice de Confiança da Indústria caiu 1,8 ponto, para 90,5 pontos. Já o indicador do setor de Serviços recuou 2,1 pontos, para 91,3 pontos. O Comércio registrou queda de 1,5 ponto, para 93,2 pontos, enquanto a Construção Civil teve redução de 1,2 ponto, para 94,0 pontos.

Segundo a FGV, a piora nas expectativas dos empresários reflete o aumento das incertezas no cenário econômico, especialmente em relação ao quadro fiscal e político do país. “O ambiente de negócios se deteriorou de forma significativa nos últimos meses, com os empresários demonstrando maior cautela diante das indefinições”, afirmou o economista da FGV responsável pela pesquisa, Aloisio Campelo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na economia real

O pessimismo empresarial tem impacto direto sobre a atividade econômica, uma vez que a confiança reduzida tende a postergar investimentos e contratações. A pesquisa indica que o Índice de Expectativas, que mede a visão dos empresários para os próximos meses, caiu 2,3 pontos em junho, para 90,8 pontos. O Índice da Situação Atual, que avalia o momento presente, recuou 1,6 ponto, para 93,5 pontos.

Para Campelo, a recuperação da confiança depende de sinais claros de estabilidade fiscal e de um ambiente político mais previsível. “Enquanto não houver avanços concretos na agenda de reformas e no equilíbrio das contas públicas, é provável que a confiança empresarial continue em patamares baixos”, acrescentou.

Comparação com períodos anteriores

O atual nível de pessimismo só encontra paralelo nos meses mais agudos da pandemia, quando a economia brasileira enfrentou lockdowns e forte retração. Em abril de 2020, o ICE atingiu 87,4 pontos, o menor da série histórica. Desde então, o índice vinha se recuperando gradualmente, mas voltou a cair a partir de março de 2026.

Em junho, o ICE está 7,2 pontos abaixo da média histórica de 99,3 pontos. A queda acumulada nos últimos quatro meses é de 8,5 pontos. “A perda de fôlego da confiança empresarial é preocupante porque sinaliza que a economia pode perder dinamismo no segundo semestre”, alertou o economista.

Perspectivas

A pesquisa da FGV ouviu 1.200 empresas de todos os portes e regiões do país entre os dias 1º e 10 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Os resultados indicam que a confiança dos empresários deve continuar sob pressão nos próximos meses, a menos que haja mudanças significativas no cenário macroeconômico.

O governo federal, por sua vez, tem buscado sinalizar compromisso com a responsabilidade fiscal, mas as incertezas em torno do arcabouço fiscal e das reformas tributária e administrativa ainda pesam sobre o humor do setor produtivo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar