Um estudo publicado recentemente revela que países ricos concentram a maioria dos holótipos — exemplares de referência — de novas espécies de mamíferos descobertas no Sul Global. A pesquisa mostra que, embora 95% das novas espécies sejam nativas de regiões como América Latina e África, 60% dos holótipos estão em instituições do Norte Global, como museus e universidades na Europa e Estados Unidos.
Descoberta e distribuição dos holótipos
O estudo analisou dados de novas espécies de mamíferos descritas entre 2000 e 2020. Cientistas constataram que a maioria das descobertas ocorre em países em desenvolvimento, mas os espécimes-tipo acabam sendo depositados em coleções de países ricos. Apenas 40% dos holótipos permanecem no Sul Global.
Brasil como exceção
O Brasil destaca-se como exceção: mantém a maioria de seus holótipos localmente, graças a uma infraestrutura científica consolidada e políticas de preservação de acervos. Segundo os autores, o país possui museus e universidades com capacidade de armazenar e estudar esses exemplares, evitando a saída do material para o exterior.
“O Brasil é um exemplo de como o investimento em ciência e coleções biológicas pode reter o patrimônio científico nacional”, afirma um dos pesquisadores, em comunicado.
Impactos para a ciência e conservação
A concentração de holótipos no Norte Global dificulta o acesso de cientistas do Sul Global a esses materiais, essenciais para pesquisas taxonômicas e de conservação. A falta de infraestrutura local perpetua a dependência científica e limita o desenvolvimento de expertise regional.
O estudo ressalta a necessidade de fortalecer as coleções biológicas nos países do Sul Global e de promover acordos de repatriação ou compartilhamento de exemplares. A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional e publicada em periódico científico de acesso aberto.



