Novo tarifaço dos EUA atinge US$ 11 bi em vendas e reduz comércio
Novo tarifaço dos EUA atinge US$ 11 bi em vendas

O novo pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros atinge diretamente US$ 11 bilhões em vendas anuais, segundo estimativas do Ministério da Economia. A medida, anunciada na quinta-feira (16), deve reduzir ainda mais o fluxo comercial entre os dois países, que já vinha em declínio nos últimos meses.

Produtos mais afetados e setores impactados

As tarifas incidem sobre itens como aço, alumínio, carne bovina, suco de laranja, etanol e calçados. O setor siderúrgico é o mais prejudicado, com cerca de US$ 4,5 bilhões em exportações atingidas. A indústria de carne bovina responde por US$ 2,1 bilhões, enquanto o suco de laranja soma US$ 1,3 bilhão. Para o etanol, as tarifas subiram de 2,5% para 18%, impactando US$ 800 milhões em vendas.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), as exportações para os EUA devem cair 12% este ano. “É um golpe duro, pois os EUA são nosso principal mercado externo”, afirmou o presidente da entidade, Haroldo Ferreira.

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Reação do governo brasileiro

O Ministério da Economia informou que estuda medidas de retaliação, mas busca uma solução negociada. “Estamos abertos ao diálogo, mas não aceitaremos imposições unilaterais”, declarou o ministro Pedro Guimarães em nota. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) deve se reunir na próxima semana para definir os próximos passos.

Impacto no comércio bilateral

O comércio entre Brasil e EUA já havia caído 8% no primeiro semestre de 2026, para US$ 31 bilhões. Com as novas tarifas, a expectativa é de nova retração. Especialistas apontam que a medida pode desestimular investimentos e prejudicar a recuperação econômica brasileira.

“O tarifaço cria um ambiente de incerteza que afeta não só as exportações, mas toda a cadeia produtiva”, avalia a economista Marina Silva, da FGV. Ela destaca que setores como o de máquinas e equipamentos também podem ser impactados indiretamente.

Perspectivas e negociações

O governo brasileiro planeja enviar uma missão comercial a Washington nas próximas semanas para tentar reverter parte das tarifas. Enquanto isso, exportadores buscam diversificar mercados, especialmente na Ásia e na Europa. A China, por exemplo, já aumentou as compras de carne bovina brasileira em 15% neste ano.

Apesar dos esforços, a dependência do mercado americano ainda é grande. Para o etanol, os EUA representam 30% das exportações brasileiras. “Precisamos de alternativas de curto prazo, mas a construção de novos mercados leva tempo”, pondera o diretor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão.

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