Ministro da Fazenda pode propor volta da taxa das blusinhas a Lula
Ministro propõe volta da taxa das blusinhas a Lula

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que pode sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reintrodução da chamada 'taxa das blusinhas' caso o aumento das importações de produtos de baixo valor prejudique a indústria brasileira. A medida foi suspensa em maio deste ano, levando a uma disparada nas encomendas internacionais. Dados da Receita Federal mostram que as remessas para pessoa física dobraram em comparação com o mesmo período do ano anterior, um aumento de 100% que acendeu o alerta no setor produtivo.

Contexto da taxação

A taxa das blusinhas é um tributo de importação aplicado a encomendas de até US$ 50, originalmente criado para equilibrar a competição entre produtos importados e nacionais. Sua suspensão em maio de 2026 foi vista como uma medida de incentivo ao comércio eletrônico internacional e ao consumo, mas gerou forte reação de indústrias locais, que relataram queda nas vendas e aumento da concorrência desleal.

Pressão do setor industrial

Associações empresariais dos setores têxtil, calçadista e de brinquedos têm se mobilizado junto ao Congresso e ao Ministério da Fazenda para reverter a isenção. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a medida já resultou em perda de mercado para pequenos e médios fabricantes nacionais. 'A disparada das importações de baixo valor está desestruturando cadeias produtivas inteiras', afirmou um representante da entidade em nota enviada à imprensa.

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Próximos passos

Durigan não detalhou em que condições a taxa seria retomada, mas afirmou que a decisão final caberá ao presidente Lula. O governo enfrenta pressões de dois lados: de um lado, os consumidores que se beneficiaram dos preços mais baixos; de outro, a indústria que clama por proteção. O Congresso também estuda projetos de lei para restabelecer a cobrança, independentemente da sinalização do Executivo. A avaliação técnica da Receita Federal sobre o impacto da isenção na arrecadação e no emprego deve ser concluída nos próximos dias, informou o ministro.

Impactos econômicos

Especialistas apontam que a reintrodução da taxa pode conter o avanço das importações, mas também reduzir o poder de compra dos consumidores de baixa renda, que recorrem a sites internacionais como Shein e Shopee para adquirir roupas e acessórios. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que cerca de 40% das encomendas internacionais de até US$ 50 são de itens de vestuário, justamente o setor mais afetado pela concorrência. A expectativa é que o governo busque um equilíbrio entre a defesa da indústria e o controle da inflação, já que a taxa representa um custo adicional para as famílias.

Reações no mercado

O anúncio de Durigan foi recebido com cautela pelo mercado financeiro. A possibilidade de volta da taxa gerou volatilidade nas ações de empresas de comércio eletrônico, enquanto os papéis de varejistas nacionais tiveram alta. Analistas avaliam que a medida pode beneficiar a indústria local no curto prazo, mas alertam para riscos de retaliações comerciais por parte de países exportadores, como a China. O governo Lula, porém, sinaliza que a prioridade é proteger o emprego e a produção nacional.

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