O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana com ajustes nas expectativas econômicas. Pela quarta semana consecutiva, a projeção para a inflação de 2026 foi reduzida, segundo o relatório Focus do Banco Central. Paralelamente, a confiança do consumidor no Brasil registrou queda, influenciada pela piora na percepção sobre a situação atual.
Inflação em queda nas expectativas
De acordo com o Boletim Focus, a mediana das estimativas para o IPCA de 2026 caiu para 4,10%, ante 4,15% na semana anterior. É o quarto corte seguido, sinalizando que os agentes econômicos veem menor pressão inflacionária no médio prazo. A redução reflete, em parte, a desaceleração da atividade econômica e a política monetária restritiva.
Confiança do consumidor recua
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu 1,2 ponto em maio, para 92,5 pontos. O subíndice que mede a percepção sobre a situação atual apresentou queda mais acentuada, de 2,5 pontos, indicando que os consumidores estão menos otimistas com o momento presente. O componente de expectativas futuras, no entanto, permaneceu estável.
Morgan rebaixa seguradoras
No setor de seguros, o Morgan Stanley rebaixou as recomendações para BB Seguridade, Caixa Seguridade e Porto Seguro. Para BB Seguridade, a classificação passou de compra para neutro; Caixa Seguridade foi rebaixada de neutro para venda; e Porto Seguro teve a recomendação cortada de compra para neutro. As ações das três empresas fecharam em queda no pregão de segunda-feira.
O banco americano citou a deterioração do cenário macroeconômico e a possível redução dos lucros no setor de seguros como justificativas para os rebaixamentos. Segundo analistas, o ambiente de juros elevados e a desaceleração da economia devem pressionar as margens das seguradoras nos próximos trimestres.
Destaques positivos e negativos na bolsa
Enquanto as seguradoras caíram, a WEG (WEGE3) recebeu uma dupla elevação de recomendação para compra, com analistas destacando uma “nova fase de crescimento” impulsionada por investimentos em energia limpa e internacionalização. As ações da empresa subiram 2,3% no dia.
Por outro lado, a Vale (VALE3) foi rebaixada pelo Goldman Sachs de compra para neutro, com a justificativa de que há poucos gatilhos de curto prazo para o papel. A mineradora fechou em baixa de 1,1%.
O setor de petróleo também sofreu, com PRIO, Petrobras e PetroRecôncavo registrando quedas superiores a 2% após o barril do petróleo Brent cair mais de 3% no mercado internacional. A desvalorização foi atribuída a preocupações com a demanda global.
Perspectivas para os próximos meses
O mercado segue atento aos próximos indicadores econômicos, especialmente a divulgação do IPCA-15 de maio e a ata do Copom, que podem dar mais pistas sobre os rumos da política monetária. A redução das expectativas de inflação pode abrir espaço para cortes na Selic no segundo semestre, mas a cautela predomina diante da incerteza fiscal.



