O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovaram novas regras que permitem a juízes e procuradores dividirem suas férias de 60 dias em até 12 períodos de cinco dias úteis. A mudança pode ampliar significativamente o período de descanso ao permitir que esses períodos sejam emendados com fins de semana e feriados, resultando em até 12 semanas de folga por ano.
Como funcionam as novas regras
Pela regulamentação anterior, as férias de 60 dias já podiam ser parceladas, mas em no máximo três períodos. Agora, com a possibilidade de 12 períodos de cinco dias, os magistrados e membros do Ministério Público podem planejar seus descansos de forma a maximizar os dias consecutivos de folga. Por exemplo, ao tirar uma semana de férias de segunda a sexta, o fim de semana anterior e posterior são incorporados, totalizando nove dias de descanso. Se houver feriados próximos, o período pode ser ainda maior.
Impacto no total de dias de descanso
Considerando os 60 dias de férias, mais os fins de semana e feriados que podem ser emendados, estima-se que juízes e procuradores possam chegar a até 202 dias de descanso por ano. Esse cálculo inclui também os recessos forenses e outros feriados obrigatórios. A informação foi divulgada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que defende a medida como uma forma de melhorar a qualidade de vida dos profissionais.
Reações e críticas
A decisão gerou polêmica, especialmente em meio a discussões sobre privilégios no Judiciário. O presidente da AMB, juiz Frederico Mendes, afirmou: "As férias são um direito trabalhista, e a nova regulamentação apenas organiza melhor o período de descanso, sem aumentar os dias totais." Por outro lado, entidades como a Associação dos Servidores Públicos do Brasil criticaram a medida, apontando que a ampliação do descanso representa um privilégio em comparação com outros trabalhadores.
Contexto mais amplo
A aprovação ocorre enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) busca padronizar pagamentos extras no Judiciário. A Corte analisa propostas para limitar benefícios como auxílio-moradia e jetons, em um esforço para reduzir desigualdades salariais. As novas regras de férias, portanto, contrastam com o movimento de austeridade, gerando debates sobre a necessidade de equilíbrio entre direitos e responsabilidade fiscal.



