Alta de juros aprofunda crise na Coreia do Sul
Juros altos agravam crise sul-coreana

O Banco Central da Coreia do Sul elevou a taxa básica de juros para 3,75% ao ano, o maior nível desde 2008, aprofundando o que analistas chamam de 'inferno astral' da economia sul-coreana. A medida, anunciada na quinta-feira, visa conter a inflação, que atingiu 5,6% em junho, mas agrava o endividamento das famílias e das empresas.

Endividamento recorde

O endividamento das famílias sul-coreanas alcançou 1.869 trilhões de won (cerca de US$ 1,4 trilhão) no primeiro trimestre, o maior da história. Com os juros mais altos, o custo do crédito dispara, reduzindo o consumo e a atividade econômica. 'A situação é crítica. As famílias estão com dificuldades para pagar suas dívidas, e o consumo está caindo rapidamente', afirmou Kim Soo-young, economista do Instituto de Desenvolvimento da Coreia.

Impacto na economia real

A produção industrial caiu 1,2% em maio na comparação mensal, enquanto as exportações, motor da economia, recuaram 6,4% no mesmo período. O PIB deve crescer apenas 1,4% em 2026, segundo o Fundo Monetário Internacional, bem abaixo dos 2,6% de 2025. O governo já anunciou um pacote de estímulo de 23 trilhões de won, mas especialistas temem que seja insuficiente.

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Pressão sobre o Banco Central

O presidente do Banco Central, Rhee Chang-yong, defendeu a alta dos juros como necessária para controlar a inflação. 'Precisamos agir agora para evitar uma espiral inflacionária. O aperto monetário é doloroso, mas inevitável', disse em entrevista coletiva. No entanto, críticos apontam que a política monetária está excessivamente focada na inflação, ignorando os riscos de recessão.

A taxa de desemprego subiu para 4,1% em junho, a maior em dois anos, e a confiança do consumidor caiu ao menor nível desde a pandemia de covid-19. Pequenas e médias empresas, que dependem de crédito, estão sendo as mais afetadas. 'Estamos vendo um aumento nos pedidos de falência. Muitos negócios não conseguem sobreviver a esses juros', relatou Park Jae-hyun, presidente da Associação de Pequenas Empresas da Coreia.

Perspectivas

O mercado financeiro projeta que o Banco Central pode elevar os juros novamente em agosto, para 4%, o que agravaria ainda mais a crise. Alguns analistas já falam em 'ciclo vicioso', com juros altos quebrando empresas, aumentando o desemprego e reduzindo a arrecadação, o que pressiona as contas públicas. O governo, por sua vez, tenta equilibrar o estímulo fiscal com a disciplina orçamentária, mas a margem de manobra é estreita.

A Coreia do Sul enfrenta ainda desafios externos, como a desaceleração da economia chinesa e a guerra comercial entre EUA e China, que afetam suas exportações. O cenário é de incerteza, e a população sente os efeitos no bolso. 'Nunca vi uma situação tão difícil. Os preços sobem, os juros sobem, e meu salário não acompanha', desabafou Lee Min-ho, motorista de aplicativo em Seul.

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