O Japão anunciou um ambicioso plano para desenvolver seu próprio modelo de inteligência artificial e implantar 10 milhões de robôs até 2040, como resposta ao rápido envelhecimento e declínio populacional. A iniciativa, liderada pelo consórcio Noetra, que inclui SoftBank e Sony, receberá investimento total de US$ 6 bilhões. O objetivo é reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos e da China, e aplicar IA em setores críticos da economia.
Contexto demográfico e econômico
O país enfrenta uma crise demográfica: a população idosa (acima de 65 anos) já representa cerca de 29% do total, e a força de trabalho encolhe a cada ano. Estima-se que, até 2040, o Japão terá um déficit de milhões de trabalhadores em setores como saúde, manufatura e serviços. Robôs e sistemas de IA são vistos como solução para preencher essas lacunas, mantendo a produtividade e a competitividade global.
O consórcio Noetra e o investimento
O consórcio Noetra, formado por gigantes como SoftBank, Sony e outras empresas de tecnologia, será o responsável por coordenar o desenvolvimento do modelo de IA japonês. O investimento de US$ 6 bilhões será aplicado em pesquisa, infraestrutura e capacitação. A meta é criar uma plataforma de IA soberana, capaz de processar dados em japonês e adaptada às necessidades locais, como atendimento ao idoso e automação industrial.
Redução da dependência externa
Atualmente, o Japão depende fortemente de soluções de IA dos EUA (como OpenAI e Google) e da China (como Baidu e Alibaba). O plano visa desenvolver uma alternativa nacional, garantindo segurança de dados e alinhamento com regulamentações locais. “Precisamos de uma IA que entenda nossa cultura e idioma, e que possa ser aplicada em ambientes reais, como hospitais e fábricas”, afirmou um porta-voz do consórcio.
Impactos no mercado de trabalho
Até 2040, o Japão espera que os 10 milhões de robôs estejam operando em diversas funções: desde robôs de cuidados com idosos até veículos autônomos e sistemas de logística. A expectativa é que a automação não apenas compense a falta de mão de obra, mas também crie novos empregos em áreas de manutenção, programação e supervisão de robôs. O governo já estuda incentivos fiscais para empresas que adotarem a tecnologia.
Desafios e críticas
Especialistas apontam desafios como o alto custo de desenvolvimento, a necessidade de infraestrutura de dados e a aceitação social. Além disso, há preocupações éticas sobre a substituição de trabalhadores humanos. No entanto, o governo japonês defende que a iniciativa é essencial para a sustentabilidade econômica do país. “Sem robôs e IA, não conseguiremos manter nossos serviços básicos”, disse um representante do Ministério da Economia, Comércio e Indústria.



