IPO da Abra, dona da Gol e Avianca, deve ficar para 2027
IPO da Abra, dona da Gol e Avianca, deve ficar para 2027

O Grupo Abra, controlador das companhias aéreas Gol e Avianca, deve adiar sua aguardada oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) para 2027. A informação foi divulgada por fontes próximas ao processo. A Abra continua com os preparativos para a listagem em Nova York, mas avalia que o cenário atual é desfavorável para uma estreia no mercado de capitais no setor aéreo.

Contexto de incertezas geopolíticas e impacto no petróleo

A indefinição em relação ao conflito no Irã, com cessar-fogues intercalados por retomadas de hostilidades, como ocorreu no último final de semana, mantém o preço do petróleo pressionado e afeta negativamente as empresas aéreas globalmente. Apenas nesta segunda-feira, 13, as ações da United Airlines e Delta Airlines recuaram 3,84% e 1,37%, respectivamente, na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse).

Azul relista na Nyse sem oferta de ações

A Azul Linhas Aéreas realizou sua relistagem na Nyse na quinta-feira, 9, mas sem uma oferta de ações. A empresa havia captado recursos anteriormente, ao sair do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, e agora migrou do mercado de acesso (Nyse American) para o pregão principal. O CEO da Azul, John Rodgerson, comentou que o ambiente de alta volatilidade e incertezas exige cautela: “É um momento para colocar o peito no chão, porque há balas voando. Um dia há guerra, no outro, não. Depois a guerra volta. Não queremos correr riscos nesse ambiente”, afirmou.

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Desempenho negativo de IPOs brasileiros em 2025

Além do momento ruim para o setor aéreo, fontes em Nova York apontam que a experiência recente de investidores internacionais com IPOs de empresas brasileiras não foi positiva. O PicPay abriu capital em janeiro de 2025 com forte demanda, mas suas ações acumulam queda de 40% desde então. O Agibank, que fez seu IPO poucas semanas depois, registra desvalorização de 32% desde o início de fevereiro. Esse histórico reforça a cautela em relação a futuras operações de empresas ligadas ao Brasil.

Nyse como principal vitrine para aéreas latino-americanas

A Nyse consolidou-se como a principal plataforma para companhias aéreas da América Latina. O CEO da Azul, John Rodgerson, destacou que a visibilidade internacional é maior e a proximidade com investidores facilita futuras captações. Além da Azul, a Latam relistou em Nova York em julho de 2024, levantando US$ 456 milhões em uma oferta de ações. Outras grandes empresas do setor na região, como Copa Airlines e Aeroméxico, também estão listadas na Nyse.

Preparativos da Abra e pedido confidencial

A Abra anunciou que fez um pedido confidencial aos reguladores dos Estados Unidos em novembro de 2025 para um IPO em Nova York. Como parte dos preparativos, a Gol fechou seu capital e deixou de ser listada na B3. Procurada para esta nota, a Abra não se pronunciou.

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