Impulso fiscal dobra no 2º trimestre e atinge 4,52% do PIB, aponta FGV
Impulso fiscal dobra no 2º trimestre e atinge 4,52% do PIB

Aceleração recorde no segundo trimestre

A aceleração da injeção de dinheiro na economia brasileira mais do que dobrou no segundo trimestre de 2025, alcançando 4,52% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 2,19% registrados nos três primeiros meses do ano. Os dados são do Monitor de Expansão Fiscal Ampliada (MEFA), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira (27). O indicador mede o impacto total das operações fiscais sobre a economia, incluindo gastos que não aparecem no resultado primário tradicional.

De acordo com o economista da FGV Alexandre Manoel, o resultado revela "a forte aceleração da expansão fiscal por canais que não são observados integralmente no resultado primário". Ele destacou que o segundo trimestre foi "marcadamente expansionista", impulsionado pelo crescimento expressivo das despesas financeiras em maio e junho, que levaram o índice ao maior nível da série histórica recente.

Composição do impulso fiscal

O levantamento mostra que as despesas financeiras representaram 3,29% do PIB no período. Já o volume de Restos a Pagar (float) contribuiu com 1,22% do PIB acumulado em doze meses. Esses dois componentes somam 4,51% do PIB, valor muito próximo do total medido pelo MEFA. O estudo propõe uma análise conjunta do MEFA e do resultado primário para captar com maior precisão o impacto das ações do governo sobre a economia real.

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Manoel explica que o resultado primário mostra a direção das contas públicas, enquanto o MEFA revela o efeito efetivo do dinheiro inserido na economia. Ao comparar junho de 2022 com junho de 2025, o resultado primário acumulado em doze meses passou de um superávit de 0,77% do PIB para um déficit estimado de 1,05%, uma deterioração de 1,82 ponto percentual. Já o impulso medido pelo MEFA saltou de 1,43% para 6,70% do PIB no mesmo período, um aumento de 5,27 pontos percentuais.

Comparação com o resultado primário

A diferença entre os dois indicadores evidencia que mais de quatro quintos do MEFA atual são compostos por operações fora do resultado primário convencional. Isso significa que o governo tem injetado recursos na economia por meio de mecanismos que não são capturados pelas métricas tradicionais de déficit fiscal. Segundo o economista, esse movimento tem consequências macroeconômicas diretas.

O artigo publicado no Blog da FGV ressalta que o impulso fiscal mais elevado ajuda a sustentar a demanda agregada, contribuindo para a resiliência da atividade econômica, do emprego e da renda familiar. Por outro lado, Manoel alerta para os efeitos colaterais desse movimento, que torna a queda da inflação mais lenta, reduz o espaço para cortes na taxa básica de juros (Selic) e pressiona a trajetória da dívida pública e os prêmios de risco dos ativos domésticos.

Consequências macroeconômicas

A injeção adicional de recursos, embora estimule a economia no curto prazo, cria desafios para a política monetária. Com a inflação mais resistente à baixa, o Banco Central pode ter menos margem para reduzir a Selic, o que encarece o crédito e pode desacelerar o crescimento futuro. Além disso, o aumento da dívida pública eleva o prêmio de risco, afetando o câmbio e os investimentos estrangeiros.

O estudo da FGV serve como um alerta para a necessidade de monitoramento mais amplo das contas públicas, indo além do resultado primário. O MEFA, ao incorporar despesas financeiras e restos a pagar, oferece uma visão mais completa do impacto fiscal sobre a economia. Para Manoel, a forte aceleração observada no segundo trimestre exige atenção redobrada das autoridades econômicas.

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