IFI: Economia opera acima do potencial desde o 2º tri de 2024
IFI: Economia acima do potencial desde 2º tri de 2024

A Instituição Fiscal Independente (IFI) divulgou relatório nesta quinta-feira (23) indicando que a economia brasileira opera acima do potencial produtivo desde o segundo trimestre de 2024. O fenômeno, conhecido como hiato do produto positivo, sinaliza risco de superaquecimento e pressões inflacionárias.

Hiato do Produto Positivo

De acordo com o IFI, o Produto Interno Bruto (PIB) real superou o PIB potencial em 0,5% no segundo trimestre de 2024, após um primeiro trimestre com hiato neutro. A estimativa considera a trajetória de crescimento da economia e a capacidade produtiva instalada.

O relatório destaca que, desde então, o hiato se ampliou, atingindo 1,2% no quarto trimestre de 2025 e projetando-se em 1,8% para o primeiro trimestre de 2026. "A economia opera consistentemente acima de seu potencial, o que requer monitoramento cuidadoso da política monetária", afirma o documento.

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Pressões Inflacionárias

O superaquecimento da atividade econômica eleva o risco de inflação acima da meta. O IFI ressalta que o Banco Central deve manter a taxa Selic em patamar contracionista para conter a demanda agregada. "A política monetária precisa permanecer vigilante para evitar que o hiato positivo se traduza em inflação persistente", diz o texto.

A projeção do IFI para o IPCA em 2026 é de 4,2%, acima do centro da meta de 3,0%, mas dentro do intervalo de tolerância. O cenário base considera a manutenção da Selic em 14,25% ao ano até o final do ano.

Impactos no Mercado de Trabalho

O hiato positivo também se reflete no mercado de trabalho, com taxa de desemprego em mínimas históricas. O IFI aponta que a taxa de desocupação ficou em 6,5% no trimestre encerrado em maio de 2026, abaixo da taxa natural estimada em 8,0%. "O mercado de trabalho apertado gera pressões salariais que podem alimentar a inflação de serviços", alerta o relatório.

O rendimento real médio cresceu 3,1% nos últimos 12 meses, superando a produtividade, o que reforça a preocupação com a inflação de custos.

Recomendações de Política

O IFI recomenda que o governo evite estímulos fiscais adicionais, que poderiam ampliar o hiato do produto. A instituição também sugere reformas estruturais para aumentar o PIB potencial, como a simplificação tributária e a melhoria do ambiente de negócios.

"O atual estágio do ciclo econômico exige cautela fiscal e monetária. Medidas que elevem a produtividade são essenciais para acomodar o crescimento sem gerar desequilíbrios", conclui o documento.

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