O fim da escala de trabalho 6x1, em discussão no Congresso Nacional, pode elevar os custos dos serviços públicos municipais em até R$ 34,5 bilhões, segundo estimativas de prefeituras. O impacto atinge áreas essenciais como limpeza urbana, transporte coletivo e saúde, que dependem de regime contínuo de operação.
Pressão sobre os cofres municipais
Prefeitos de todo o Brasil alertam que a mudança na jornada, que prevê a adaptação para 40 horas semanais em cinco dias de trabalho e dois de descanso, gerará um déficit de profissionais e aumento da informalidade em setores que atualmente operam em escala 6x1 (seis dias trabalhados e um de folga). A conta, segundo eles, será inevitavelmente repassada ao cidadão por meio de tarifas mais altas ou redução na qualidade dos serviços.
“O impacto financeiro é imenso. Não temos margem para absorver esse custo sem comprometer outras áreas ou aumentar impostos”, afirmou o presidente da Frente Nacional de Prefeitos, em nota divulgada à imprensa.
Setores mais afetados
Os setores mais sensíveis à mudança são aqueles que exigem funcionamento ininterrupto. Na limpeza urbana, a necessidade de coleta de lixo todos os dias demandará contratação de mais equipes para cobrir as folgas. No transporte público, a escala de motoristas e cobradores terá que ser readequada, elevando custos com pessoal. Na saúde, hospitais e unidades de pronto-atendimento, que funcionam 24 horas, precisarão de mais profissionais para manter a cobertura.
Estados e empresas estatais também serão impactados, embora o estudo inicial tenha focado nos municípios. A estimativa de R$ 34,5 bilhões considera apenas o custo adicional com salários e encargos trabalhistas para adaptar a escala ao regime de 40 horas semanais.
Prazo de adaptação e riscos
As prefeituras pleiteiam um prazo maior para implementar as mudanças, argumentando que a transição abrupta pode gerar desorganização nos serviços e aumento da informalidade. “Sem um período de transição adequado, muitos trabalhadores podem migrar para o trabalho informal, o que agrava o problema fiscal e social”, destacou o estudo encomendado pela associação de municípios.
O debate no Congresso segue em aberto, com pressão de sindicatos trabalhistas pela aprovação rápida e de gestores públicos por mais tempo e compensações financeiras. O custo final, no entanto, deverá ser pago pelo contribuinte, seja via tarifas, impostos ou corte de outros investimentos.



