Uma pesquisa da SIS (Sistema de Informações sobre Sustentabilidade) revelou falhas significativas na verificação de riscos socioambientais em títulos verdes no Brasil. Desde 2015, foram emitidos US$ 31,1 bilhões em títulos sustentáveis, incluindo verdes, sociais e de sustentabilidade, mas o estudo mostra que a maioria não segue as melhores práticas para evitar o greenwashing.
Bancos cumprem apenas 17,5% das diligências
De acordo com a pesquisa, os bancos cumprem apenas 17,5% das diligências mínimas exigidas pela Taxonomia Sustentável Brasileira. Isso significa que a verificação dos riscos ambientais e sociais associados aos projetos financiados por esses títulos é insuficiente. A Taxonomia Sustentável Brasileira é um conjunto de critérios para classificar atividades econômicas como sustentáveis, mas sua adoção ainda é voluntária.
Setores com maiores lacunas
Além dos bancos, empresas dos setores de agronegócio e elétrico também apresentaram lacunas significativas na verificação de riscos. O estudo aponta que a ausência de normas obrigatórias deixa espaço para o greenwashing, prática em que empresas divulgam informações enganosas sobre seus impactos ambientais. A pesquisa alerta que, sem maior rigor, a credibilidade dos títulos verdes pode ser comprometida.
“A falta de padronização e a verificação insuficiente dos riscos socioambientais são preocupantes. Precisamos de regras claras e obrigatórias para garantir que esses títulos realmente financiem projetos sustentáveis”, afirmou o coordenador da pesquisa, em entrevista à coluna de Míriam Leitão.
Impacto no mercado e na confiança
O Brasil é um dos maiores emissores de títulos verdes emergentes, mas as falhas na verificação podem afastar investidores internacionais que buscam ativos com critérios ambientais rigorosos. A pesquisa conclui que a implementação de mecanismos de verificação mais robustos é essencial para manter a confiança no mercado e evitar que os títulos verdes sejam usados apenas como ferramenta de marketing.



