Um novo estudo econômico revela que as exportações da China exercem um peso maior sobre o crescimento da Europa do que o déficit comercial entre as duas regiões. A pesquisa, conduzida por economistas do Banco Central Europeu e divulgada nesta semana, analisa dados de comércio bilateral dos últimos 20 anos e conclui que o impacto positivo das importações europeias de insumos e bens intermediários chineses supera os efeitos negativos do déficit.
Impacto das exportações chinesas no PIB europeu
Segundo o estudo, cada aumento de 1% nas exportações da China para a Europa está associado a um crescimento de 0,15% no Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro no médio prazo. Em contrapartida, o déficit comercial com a China reduziu o crescimento em apenas 0,03% no mesmo período. "Os números mostram que a interdependência é mais benéfica do que se pensava", afirmou o economista-chefe do BCE, Philip Lane, em entrevista coletiva.
O relatório destaca que as exportações chinesas são fundamentais para a competitividade das indústrias europeias, especialmente nos setores automotivo, de máquinas e equipamentos eletrônicos. "Sem os componentes chineses, muitas fábricas europeias teriam que parar a produção", acrescentou Lane.
Desafios para a política comercial europeia
Os resultados do estudo surgem em meio a debates acalorados na União Europeia sobre a imposição de tarifas sobre produtos chineses, especialmente veículos elétricos. A Comissão Europeia propôs recentemente sobretaxas de até 38% sobre carros elétricos chineses, alegando subsídios desleais.
No entanto, o estudo sugere que medidas protecionistas podem sair pela culatra. "Restringir as importações chinesas pode prejudicar setores que dependem delas, elevando custos e reduzindo a competitividade global das empresas europeias", alerta o documento.
Dados do Eurostat mostram que o déficit comercial da UE com a China atingiu € 400 bilhões em 2025, um recorde histórico. Apesar disso, as exportações chinesas para a Europa cresceram 8% no mesmo ano, impulsionadas por produtos de alta tecnologia e componentes para energia renovável.
Setores mais beneficiados
Os setores que mais se beneficiam das exportações chinesas são o de energia solar, baterias para veículos elétricos e semicondutores. A Europa importa cerca de 80% dos painéis solares da China, o que viabiliza a transição energética do bloco. "A dependência é uma faca de dois gumes, mas por enquanto os benefícios superam os riscos", comentou a comissária de Comércio da UE, Valdis Dombrovskis.
O estudo também aponta que as exportações chinesas contribuem para a redução da inflação na Europa, ao oferecer bens de consumo a preços mais baixos. Estima-se que a inflação na zona do euro seja 0,5 ponto percentual menor graças aos produtos chineses.
Perspectivas futuras
Para o futuro, os economistas recomendam que a Europa diversifique suas fontes de suprimento, reduzindo a vulnerabilidade a choques na cadeia de suprimentos. "Precisamos de uma estratégia equilibrada que mantenha os benefícios do comércio com a China enquanto fortalece a resiliência interna", conclui Lane.



