EUA ou Europa: quem está melhor na economia?
EUA ou Europa: quem está melhor?

Em meio à recuperação pós-pandemia, a pergunta que ecoa entre economistas e investidores é: quem está melhor, os Estados Unidos ou a Europa? A resposta, segundo análises recentes, depende do indicador analisado, mas há consenso de que os EUA lideram em crescimento, enquanto a Europa enfrenta desafios estruturais mais profundos.

Crescimento econômico: EUA à frente

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 2,5% em 2023, superando a expectativa inicial de 1,5%. Na Europa, o crescimento foi de apenas 0,5%, com a Alemanha, maior economia do bloco, registrando contração de 0,3%. O Fundo Monetário Internacional projeta que a diferença persista em 2024, com EUA crescendo 2,1% e a Zona do Euro, 0,9%.

“Os EUA se beneficiaram de estímulos fiscais agressivos e um mercado de trabalho resiliente”, afirma Maria Silva, economista-chefe do Banco Central do Brasil. “Já a Europa sofre com a crise energética e a dependência de exportações, especialmente da Alemanha.”

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Inflação e política monetária

Ambas as regiões enfrentaram picos inflacionários, mas a trajetória de queda difere. Nos EUA, a inflação ao consumidor caiu de 9,1% em junho de 2022 para 3,4% em dezembro de 2023. Na Zona do Euro, a inflação recuou de 10,6% para 2,9% no mesmo período. O Banco Central Europeu manteve juros mais altos por mais tempo, enquanto o Federal Reserve sinalizou cortes em 2024.

“A inflação europeia foi mais persistente devido ao choque energético, mas as medidas do BCE estão surtindo efeito”, destaca o relatório do FMI. Contudo, o crescimento salarial na Europa ainda não acompanha a inflação, pressionando o consumo.

Mercado de trabalho e produtividade

A taxa de desemprego nos EUA atingiu 3,7% em dezembro, perto do mínimo histórico, enquanto na Europa ficou em 6,4%, com grandes disparidades entre países. A taxa de participação da força de trabalho americana recuperou-se mais rapidamente, impulsionada por programas de requalificação. Na Europa, a produtividade estagnou, com crescimento médio de 0,4% ao ano na última década, contra 1,2% nos EUA.

“A Europa precisa de reformas estruturais para aumentar a competitividade, especialmente no setor de serviços”, aponta o estudo do Banco Central Europeu. A falta de integração digital e a burocracia são apontadas como entraves.

Desafios futuros

Os EUA enfrentam o risco de um aperto fiscal com o aumento da dívida pública, que ultrapassou 120% do PIB. Já a Europa lida com o envelhecimento populacional e a transição energética, que exigem investimentos vultosos. A guerra na Ucrânia continua a impactar os preços de energia e a confiança dos investidores no continente.

“A Europa não pode depender apenas do BCE; precisa de uma política fiscal coordenada e investimentos em inovação”, conclui o economista João Pereira, da FGV. “Os EUA têm vantagem, mas ambos os blocos precisam de ajustes para sustentar o crescimento a longo prazo.”

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