Novas tarifas dos EUA entram em vigor e afetam dezenas de países
Os Estados Unidos impuseram, a partir desta sexta-feira (24), novas tarifas de importação a cerca de 60 países, substituindo as taxas temporárias de fevereiro. As alíquotas são de 10% ou 12,5%, dependendo do país e do produto. A medida gerou reações imediatas de parceiros comerciais, como China, União Europeia e Brasil.
China e UE reagem de forma distinta
A China declarou-se “contra qualquer forma de medidas tarifárias unilaterais”, por meio do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian. Já a União Europeia, aliviada por receber a taxa mais baixa de 10%, saudou a decisão. “A UE saúda o fato de que esse desfecho é consistente com os compromissos dos EUA em relação às tarifas”, afirmou Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia, referindo-se ao acordo comercial de 2024.
A UE também obteve isenções para produtos como cortiça e diamantes, além de itens já isentos, como aeronaves e medicamentos genéricos. Para Bruxelas, isso cria uma “dinâmica positiva” para negociações transatlânticas sobre matérias-primas e inteligência artificial.
Multa do Google e temores de retaliação
O anúncio de Washington ocorreu horas após a UE multar o Google em € 890 milhões por práticas anticompetitivas. A decisão gerou temores de retaliação, já que o governo Trump acusa o bloco de atingir injustamente empresas americanas.
Brasil recebe tarifa de 12,5% e critica fundamentação
O Brasil, já taxado em 25% na semana anterior, recebeu nova alíquota de 12,5%, baseada em investigação do USTR sobre suposto uso de trabalho forçado em 3 mil itens. O governo brasileiro denunciou a manipulação: “Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos”, diz nota oficial. O Brasil utilizará a Lei da Reciprocidade como pressão, mas manterá negociações.
Ásia protesta contra tarifas
Na Ásia, China, Filipinas, Austrália, Japão e Nova Zelândia criticaram as barreiras. As Filipinas expressaram “profunda preocupação”. George Barcelon, presidente da PCCI, alertou: “Isso tornará as indústrias menos competitivas”. A secretária de Comércio filipina, Christina Roque, afirmou que o país tem política firme contra trabalho forçado, em conformidade com a OIT.
Justificativa de trabalho forçado e base legal
O USTR, liderado por Jamieson Greer, investigou se parceiros eliminaram produtos com mão de obra forçada de suas cadeias. “Se você permite a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, cria-se concorrência desleal”, disse Greer à CNN. A advogada Greta Peisch explicou que o objetivo é manter poder de negociação. Uma autoridade americana admitiu que o mercado dos EUA é usado como alavanca para alcançar objetivos.
A Casa Branca espera que as novas tarifas tenham base jurídica sólida, usando a mesma legislação que justificou tarifas setoriais (aço, alumínio, etc.) não anuladas pela Suprema Corte. Outras investigações sobre capacidade industrial excedente estão em andamento.



