ESG morreu? Entenda a crise e o futuro das práticas sustentáveis
ESG morreu? Crise e futuro das práticas sustentáveis

O termo ESG (Environmental, Social and Governance) tornou-se um dos mais discutidos no mundo dos negócios nos últimos anos. No entanto, uma onda de críticas e escândalos tem levantado a questão: o ESG morreu? Para muitos especialistas, o conceito não está morto, mas enfrenta uma crise de credibilidade que exige uma reformulação profunda.

O que está acontecendo com o ESG?

Nos Estados Unidos, o movimento anti-ESG ganhou força, com políticos republicanos acusando grandes gestoras de ativos, como a BlackRock, de boicotar empresas de combustíveis fósseis e impor uma agenda woke. Em 2023, 18 estados americanos aprovaram leis restringindo o uso de critérios ESG em investimentos públicos. Ao mesmo tempo, escândalos de greenwashing, como o caso da Volkswagen e de fundos que se diziam verdes mas investiam em petróleo, abalaram a confiança dos investidores.

Dados mostram queda no entusiasmo

Segundo a Global Sustainable Investment Alliance, os ativos sustentáveis globais cresceram 15% em 2022, atingindo US$ 30,3 trilhões. No entanto, o ritmo de crescimento desacelerou em comparação com anos anteriores. Uma pesquisa da PwC de 2023 indicou que 60% dos investidores institucionais acreditam que o ESG está sendo usado apenas como marketing, sem compromisso real.

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Pressões políticas e regulatórias

O presidente da Câmara dos EUA, Kevin McCarthy, afirmou em fevereiro de 2023: "O ESG é uma ameaça à economia americana e aos empregos". Na Europa, a regulação está se tornando mais rígida, com a União Europeia implementando o SFDR (Sustainable Finance Disclosure Regulation) para combater o greenwashing. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também estuda exigir maior transparência nos relatórios ESG.

ESG precisa se reinventar

Para muitos analistas, o ESG não morreu, mas precisa amadurecer. "O ESG nunca foi um dogma, mas uma ferramenta de gestão de riscos", disse em entrevista ao Valor a professora da FGV, Maria Tereza. "As empresas que realmente incorporam sustentabilidade em seus negócios continuarão a se destacar. O problema é a superficialidade."

O futuro do ESG

Especialistas apontam que o futuro do ESG passa por maior padronização de métricas, auditoria independente e foco em resultados concretos. A iniciativa ISSB (International Sustainability Standards Board) busca criar um padrão global de relatórios. No Brasil, a B3 lançou o segmento de listagem "Novo Mercado ESG" em 2022, com regras mais rigorosas.

Portanto, o ESG não está morto, mas em uma encruzilhada. A crise atual pode levar a uma versão mais robusta e confiável, ou a um abandono total se as empresas não se comprometerem genuinamente. O tempo dirá se o conceito sobreviverá à sua própria popularidade.

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