As empresas brasileiras estão mais preparadas para enfrentar o novo tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, do que estavam em 2025. A avaliação é do ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, que destacou a maturidade adquirida pelo setor produtivo nacional diante das incertezas comerciais globais.
Tarifas de 25% entram em vigor em julho
As tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros foram anunciadas pelo governo americano como resultado de uma investigação baseada na Seção 301, que apura práticas comerciais consideradas desleais. A medida entra em vigor em 22 de julho de 2025, afetando setores como siderurgia, alumínio e produtos químicos.
Segundo Barral, a experiência acumulada desde o primeiro ciclo de tarifas em 2018 permitiu que as empresas brasileiras diversificassem mercados e ajustassem cadeias produtivas. “Hoje, há um planejamento mais robusto e uma capacidade de resposta mais rápida”, afirmou o ex-secretário.
Impacto e estratégias de adaptação
O novo tarifaço atinge cerca de US$ 3,2 bilhões em exportações brasileiras, segundo estimativas do Ministério da Economia. Empresas dos setores de aço, alumínio e químico já iniciaram contatos com clientes americanos para renegociar contratos e repassar parte dos custos.
Barral destacou que a diversificação de destinos, como a Ásia e a América Latina, tem sido a principal estratégia. “As empresas que investiram em novos mercados nos últimos anos estão menos vulneráveis”, completou.
Preparação institucional e diplomacia
O governo brasileiro também se movimenta para mitigar os efeitos. O Ministério das Relações Exteriores já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as tarifas, enquanto negocia acordos bilaterais com os EUA. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o impacto total pode chegar a 0,2% do PIB brasileiro se as tarifas se prolongarem.



