A eletrificação da Europa, embora essencial para a descarbonização, não é suficiente para garantir a segurança energética do continente. Em artigo publicado no Valor Econômico, o economista Jorge Arbache argumenta que a estratégia atual, focada apenas na substituição de combustíveis fósseis por eletricidade renovável, ignora desafios estruturais e geopolíticos.
Limitações da eletrificação
Segundo Arbache, a eletrificação em massa da economia europeia, especialmente nos setores de transporte e aquecimento, aumentará drasticamente a demanda por eletricidade. Estima-se que a demanda por eletricidade na União Europeia possa crescer 60% até 2050. No entanto, a infraestrutura atual não suporta esse aumento sem investimentos massivos em redes de transmissão e distribuição.
Além disso, a dependência de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, torna o sistema vulnerável a variações climáticas e sazonais. Sem armazenamento adequado e fontes de base, a segurança energética fica comprometida.
Diversificação é chave
O autor defende que a Europa precisa diversificar suas fontes de energia, incluindo nuclear, hidrelétrica e biomassa, além de investir em tecnologias de armazenamento e em eficiência energética. “A eletrificação por si só não resolve o problema. É preciso uma abordagem integrada que considere a oferta, a demanda e a resiliência do sistema”, afirma Arbache.
Outro ponto destacado é a necessidade de reduzir a dependência de importações de energia. Atualmente, a UE importa cerca de 60% de sua energia, principalmente de países como Rússia e Noruega. A guerra na Ucrânia expôs essa vulnerabilidade, levando a um esforço para acelerar a transição energética.
Impactos econômicos e sociais
A transição energética também tem custos elevados. Arbache calcula que os investimentos necessários para modernizar a infraestrutura elétrica europeia podem chegar a 2 trilhões de euros até 2030. Esse valor inclui redes, armazenamento e geração renovável. Sem políticas adequadas, o custo pode ser repassado aos consumidores, aumentando a pobreza energética.
O artigo conclui que a eletrificação é uma parte da solução, mas não a única. “Precisamos de uma estratégia energética que seja economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente sustentável”, escreve Arbache. A diversificação de fontes, o investimento em inovação e a cooperação internacional são fundamentais para o sucesso da transição.



