O El Niño começa a influenciar o clima no Brasil de forma mais clara a partir da segunda quinzena de julho, com expectativa de temperaturas acima da média e chuvas mais frequentes na Região Sul. Nesta quarta-feira (15), o frio perde força, e a partir de quinta-feira (16), temporais podem atingir principalmente o Rio Grande do Sul.
Fatores que intensificam as tempestades
A chuva prevista não será causada apenas pelo El Niño. Calor, umidade elevada, áreas de baixa pressão e a atuação do Jato de Baixos Níveis da América do Sul (JBNAS), que transporta ar quente e úmido da Amazônia para o Sul e alimenta os rios atmosféricos, também favorecem as tempestades. Um bloqueio atmosférico sobre o Centro-Oeste e o Sudeste mantém as instabilidades concentradas no Sul.
Veranico e temperaturas elevadas
Antes dos temporais, uma mudança na circulação dos ventos transporta ar mais quente do interior do continente para o Sul, elevando as temperaturas entre quarta e sexta-feira e provocando um período de veranico. As temperaturas podem ficar entre 3°C e 4°C acima da média durante dois ou três dias. "As temperaturas acima da média estão entre os efeitos que podem ser favorecidos pelo El Niño. Isso não significa que todo episódio de calor seja causado diretamente pelo fenômeno", ressalta César Soares, meteorologista da Climatempo.
Previsão para Paraná e Santa Catarina
No Paraná e em Santa Catarina, o bloqueio atmosférico mantém predomínio de sol, com tardes progressivamente mais quentes, especialmente no oeste. No oeste e noroeste do Paraná, as máximas podem chegar a 30°C. Em Santa Catarina, os termômetros se aproximam dessa marca no Grande Oeste e no Litoral Sul. As manhãs seguem frias, com grande amplitude térmica.
Risco de tempestades severas no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o aumento do calor e da umidade prepara a atmosfera para tempestades. Na quinta-feira, uma área de baixa pressão se forma entre a Argentina e o Uruguai, enquanto ventos intensos transportam calor e umidade para o estado. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esse transporte de umidade é decisivo para a formação de nuvens carregadas. As primeiras áreas de instabilidade surgem entre a tarde e a noite de quinta-feira no oeste, sul, Campanha e Região Central, com previsão de chuva forte, granizo e rajadas que podem superar 90 km/h. A combinação de ar quente, umidade e ventos intensos pode favorecer fenômenos severos como microexplosões e tornados isolados. "O grande protagonista deve ser o vento, que deve trazer possibilidade de destelhamentos, queda de árvores e problemas na rede elétrica", afirma César.
Evolução dos temporais e acumulados de chuva
Na sexta-feira (17), o risco de temporais aumenta e alcança maior área do Rio Grande do Sul, incluindo a Região Metropolitana de Porto Alegre. No fim de semana, chuva forte, granizo e rajadas intensas podem atingir quase todo o estado e o oeste de Santa Catarina. Até domingo, o maior risco é de tempestades severas e vento forte. A partir de segunda-feira (20), a preocupação passa a ser o volume de chuva: os acumulados podem variar entre 200 e 400 milímetros em áreas gaúchas entre 16 e 25 de julho, elevando o risco de alagamentos, enxurradas, deslizamentos e cheias de rios. Um corredor de umidade vindo do Norte alimenta as instabilidades, enquanto o bloqueio atmosférico impede o avanço da chuva. "Como as instabilidades não conseguem avançar, elas ficam concentradas no Sul até perderem totalmente a força", explica César.
Sudeste seco, mas com manhãs frias
No Sudeste, o tempo permanece firme nesta quarta e quinta-feira. A massa de ar frio perde força, mas as madrugadas e manhãs ainda são frias em áreas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Há previsão de nevoeiro no leste paulista, leste mineiro e pontos do interior do Rio de Janeiro e Espírito Santo. As menores temperaturas ocorrem no sul de Minas Gerais, leste de São Paulo e regiões serranas, com valores próximos de 2°C. Ainda há possibilidade de geada no sul de Minas Gerais e em Campos do Jordão (SP) nesta quarta-feira. Em São Paulo (SP), máxima próxima de 21°C; no Rio de Janeiro (RJ), 24°C; em Belo Horizonte (MG), 22°C.
Centro-Oeste seco e quente
No Centro-Oeste, o tempo segue firme em quase toda a região. A massa de ar seco mantém sol em Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal e maior parte de Mato Grosso. Apenas o norte e oeste de Mato Grosso podem registrar pancadas isoladas. Em Campo Grande (MS), máxima de 29°C; Cuiabá (MT) pode chegar a 33°C. A umidade relativa do ar pode cair para valores entre 20% e 30% em Goiás, Distrito Federal, leste de Mato Grosso do Sul e sudeste de Mato Grosso. O vento aumenta no oeste de Mato Grosso do Sul, com rajadas próximas de 60 km/h.
Chuvas no Nordeste e Norte
No Nordeste, a chuva ganha força no litoral nesta quarta-feira, com uma frente fria sobre o Atlântico reforçando a umidade na costa. Há previsão de chuva entre o litoral sul da Bahia e Alagoas, com pancadas moderadas a fortes em Salvador (BA), Aracaju (SE) e Maceió (AL), com risco de alagamentos pontuais. Na Região Norte, calor e umidade elevada favorecem nuvens de chuva, com pancadas mais frequentes no Amazonas, Roraima e Pará. Pode chover de forma isolada no Acre, Rondônia, Amapá e norte do Tocantins. Há possibilidade de chuva moderada a forte em áreas do Amazonas, Pará e Roraima, e temporais isolados no leste paraense e norte do Tocantins. As máximas ficam próximas de 32°C, com sensação de abafamento.



