El Niño em 2026 pode causar perdas de US$ 84 trilhões na economia global
El Niño em 2026 pode causar perdas de US$ 84 trilhões

O fenômeno El Niño foi oficialmente confirmado no Oceano Pacífico pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). As primeiras previsões indicam que poderá ser de grandes proporções, com impactos tanto climáticos quanto econômicos. A NOAA aponta 63% de probabilidade de que a temperatura da superfície do mar ultrapasse 2,0°C acima da média, caracterizando um El Niño “muito forte”.

Alerta para choque sistêmico

Robert Muggah, cientista político que assessorou governos em segurança, escreveu no Fórum Econômico Mundial: “O El Niño costuma ser tratado apenas como uma questão meteorológica, mas, em 2026, isso pode levar a uma perigosa sensação de complacência. A previsão mais recente deve ser vista como um alerta antecipado para que governos, empresas e agências humanitárias se preparem para o que pode ser um grande choque sistêmico.”

Mecanismo e intensidade do fenômeno

O El Niño se forma a cada poucos anos devido ao enfraquecimento dos ventos sobre o Pacífico, mantendo águas aquecidas próximas às Américas. Isso altera padrões climáticos globais, causando secas na Indonésia e chuvas intensas no sul dos EUA. A Organização Meteorológica Mundial projeta um evento “pelo menos moderado — e possivelmente forte”, comparável a episódios anteriores com aquecimento significativo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impactos econômicos históricos e projeções

Um estudo de 2023 na revista Science analisou os El Niños de 1982 e 1997, dois dos três mais intensos, e concluiu que causaram perdas de renda global de US$ 4,1 trilhões e US$ 5,7 trilhões, respectivamente. Os prejuízos vieram de eventos climáticos extremos, como perdas agrícolas por ondas de calor e enchentes. Ao longo do século XXI, os efeitos acumulados podem somar US$ 84 trilhões em perdas econômicas.

Setores mais vulneráveis e inflação global

Segundo análise da Fitch, os impactos serão mais severos nos países pobres, dependentes da agricultura. “Escassez prolongada pode ampliar os riscos para os preços das commodities alimentares comercializadas globalmente, afetando potencialmente as perspectivas de inflação até mesmo em países com elevada classificação de crédito”, escreveram os analistas. A Comissão Europeia prevê aumento de preços de trigo, milho e arroz ao longo do ciclo do El Niño. Os efeitos se somam à guerra no Irã, que já elevou preços de fertilizantes.

Comércio global e transporte marítimo

O El Niño historicamente prejudica o transporte marítimo ao reduzir níveis de água em pontos estratégicos. Em 2023, uma seca no Canal do Panamá reduziu as travessias diárias de 36 para 24 navios. A Autoridade do Canal do Panamá projeta poucas mudanças em 2026, mas já trabalha em alterações operacionais para 2027, quando o efeito do El Niño sobre os níveis de água deve atingir o pico.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar