Economistas divergem sobre meta de inflação, mas concordam em ajuste fiscal urgente
Economistas divergem sobre meta de inflação, mas concordam no ajuste

Economistas brasileiros estão divididos quanto à proposta de elevação da meta de inflação de 3% para 4,5%, mas há consenso sobre a necessidade urgente de um ajuste fiscal. A discussão, considerada um tabu por alguns, ganhou destaque após declarações de Sérgio Werlang, ex-diretor do Banco Central, que defendeu a mudança. Em contrapartida, Arminio Fraga, ex-presidente do BC, prefere alongar o prazo de convergência da inflação para evitar uma crise de crédito.

Divergências sobre a meta de inflação

Sérgio Werlang argumenta que a meta atual de 3% é excessivamente apertada e que uma elevação para 4,5% daria mais flexibilidade à política monetária, permitindo cortes de juros mais rápidos. Segundo ele, a rigidez da meta tem custos elevados para o crescimento econômico. Por outro lado, Arminio Fraga alerta que mudar a meta agora poderia gerar desconfiança no regime de metas de inflação, elevando os prêmios de risco e dificultando o financiamento da dívida pública. Ele sugere estender o horizonte de convergência, em vez de alterar o alvo numérico.

Consenso sobre o ajuste fiscal

Apesar das divergências sobre a meta de inflação, ambos os economistas concordam que o ajuste fiscal é indispensável. Werlang afirma que “sem um corte significativo nos gastos públicos, a política monetária continuará sobrecarregada e os juros permanecerão elevados”. Fraga complementa: “O ajuste fiscal é a âncora necessária para que o Banco Central possa conduzir a política monetária com credibilidade”. Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, considera que “discutir a meta de inflação é um tabu, mas necessário, desde que acompanhado de um ajuste fiscal crível”. Ele ressalta que a redução do gasto público é essencial para cortar juros e estabilizar a economia.

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Impactos na economia

A falta de consenso sobre a meta de inflação reflete a complexidade do momento econômico brasileiro. Enquanto o governo pressiona por juros mais baixos para estimular a atividade, o mercado financeiro exige sinalizações de responsabilidade fiscal. A expectativa é que o debate se intensifique nas próximas semanas, especialmente com a divulgação do próximo relatório de inflação. Segundo dados do mercado, a inflação acumulada em 12 meses está em torno de 4,2%, acima do centro da meta, mas dentro do intervalo de tolerância. A taxa Selic, atualmente em 13,75%, é vista como um dos principais entraves ao crescimento.

Próximos passos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve se reunir em breve para discutir o assunto, mas fontes indicam que uma decisão imediata é improvável. Enquanto isso, o Ministério da Fazenda trabalha em um pacote de corte de gastos, que pode incluir revisão de subsídios e despesas obrigatórias. Para os economistas, o sucesso de qualquer mudança na meta de inflação dependerá da implementação efetiva do ajuste fiscal.

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