Desemprego cai a 5,4% e segue amortecendo efeito dos juros e travando Selic
Desemprego cai a 5,4% e trava Selic

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% em junho, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada pelo IBGE. O resultado representa o menor patamar desde 2014 e veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava 5,5%.

Impacto na política monetária

O mercado de trabalho aquecido tem sido um dos principais fatores que impedem o Banco Central de cortar a Selic de forma mais agressiva. Com o desemprego baixo e a renda em alta, a demanda por bens e serviços se mantém elevada, pressionando a inflação. "O número reforça a tese de que a economia está operando próximo do pleno emprego, o que limita o espaço para redução dos juros", afirma o economista-chefe de uma corretora.

Rendimentos e consumo

O recuo do desemprego também impulsiona o consumo das famílias, que cresceu 1,2% no trimestre. No entanto, o endividamento continua alto: 64% das famílias estão com dívidas. A renda média real, por sua vez, subiu 3,1% na comparação anual, ajudando a reduzir a inadimplência. "É um cenário de crescimento com inflação sob controle, mas ainda preocupante para quem depende de crédito", avalia um consultor financeiro.

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Perspectivas para os próximos meses

Para o segundo semestre, a expectativa é de que a taxa de desemprego se mantenha entre 5% e 6%, com o mercado de trabalho continuando a gerar vagas. No entanto, a manutenção da Selic em 13,75% ao ano pode desaquecer a economia gradualmente. "Se o PIB desacelerar, o desemprego pode voltar a subir em 2026", alerta um analista. Por ora, o mercado de trabalho sustenta o consumo e adia qualquer mudança na política monetária.

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