A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta que a demanda global por petróleo cairá 1 milhão de barris por dia até 2026, marcando a primeira queda desde 2020. O principal fator é o fechamento do Estreito de Ormuz, provocado pela escalada da guerra no Oriente Médio, que interrompeu rotas marítimas essenciais para o transporte de petróleo.
Contexto do Conflito e Impactos Imediatos
O estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, foi bloqueado após ataques a navios petroleiros e a imposição de sanções mútuas entre países da região. A AIE alerta que a interrupção prolongada pode levar a uma contração ainda maior da demanda, caso a economia global desacelere. Para 2027, a agência prevê um crescimento modesto, mas condicionado à reabertura das rotas e à estabilização geopolítica.
Oferta Global e Preços
A oferta global de petróleo se recuperou levemente nas últimas semanas, mas permanece abaixo dos níveis pré-guerra. Países como Arábia Saudita e EUA aumentaram a produção, mas não o suficiente para compensar as perdas. Os preços do petróleo dispararam, ultrapassando US$ 100 o barril, o que levou a Rússia a proibir exportações de combustíveis para conter a alta interna. Essa medida pressionou ainda mais o mercado internacional.
Reação do Brasil
O governo brasileiro, preocupado com o impacto nos preços internos, decidiu manter subsídios e impostos temporários sobre combustíveis. Segundo o Ministério da Economia, a medida visa evitar repasses imediatos ao consumidor, mas pode comprometer as contas públicas. "Estamos monitorando a situação e ajustaremos as políticas conforme necessário", afirmou o ministro da Economia em nota.
Perspectivas para 2027
A AIE projeta que, em 2027, a demanda global de petróleo cresça cerca de 0,5 milhão de barris por dia, impulsionada pela recuperação econômica e pela reabertura de rotas. No entanto, o cenário é incerto, dependendo de negociações de paz e da capacidade de reposição dos estoques estratégicos. A agência recomenda que os países invistam em fontes alternativas de energia para reduzir a vulnerabilidade a choques geopolíticos.



