As ações da Danone registravam queda de aproximadamente 4% nesta quarta-feira, pressionadas por uma forte desaceleração no mercado chinês, que ofuscou o desempenho das vendas do segundo trimestre — acima das previsões — e a recuperação do segmento de Nutrição Especializada. A divisão havia sido impactada no primeiro trimestre por um recall de fórmulas infantis europeias e por interrupções no abastecimento relacionadas à guerra no Irã.
Vendas superam expectativas, mas China decepciona
O grupo francês de bens de consumo, dono de marcas como as águas Evian e Badoit e o iogurte Activia, informou que as vendas do segundo trimestre cresceram 4,2% em base comparável, superando a expectativa média de analistas de 3,7%, conforme consenso fornecido pela própria empresa. O desempenho acima do esperado foi impulsionado por um aumento de 4,5% nas vendas de nutrição especializada e de 4,7% no setor de águas, que se beneficiou de um verão quente — principalmente na Europa —, com destaque para a marca Volvic.
No entanto, o crescimento das vendas na China foi de apenas 3,6%, contra 10,3% no primeiro trimestre. Analistas da Jefferies classificaram o movimento como “uma desaceleração notável”. A Danone atribuiu a desaceleração à normalização das pressões competitivas na categoria de fórmulas infantis.
Preços e volumes sobem; margem operacional avança
A empresa informou que os preços gerais subiram cerca de 2,3% no segundo trimestre, enquanto os volumes cresceram 1,9%. O lucro operacional recorrente da Danone no primeiro semestre foi de 1,854 bilhão de euros (US$ 2,11 bilhões), com margem de 13,3%, ante 13,2% no ano anterior. Esse resultado ficou ligeiramente acima das expectativas de margem de 13,25% e refletiu fortes ganhos de produtividade que compensaram a pressão causada pelo recall de fórmulas infantis na Europa e os efeitos iniciais da inflação, segundo a empresa.
Projeções mantidas para 2026
A Danone reiterou suas projeções para 2026, alinhadas com as metas de médio prazo de crescimento das vendas em base comparável de 3% a 5%, com o lucro operacional recorrente crescendo mais rapidamente do que as vendas.



